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Gene pode explicar maioria de homens em família por 200 anos

Pesquisadores investigam linhagem nos Estados Unidos que apresenta proporção incomum de homens por nascimento

Imagem ilustrativa - Crédito: Getty Images

Uma família norte-americana chamou a atenção de geneticistas após registros genealógicos revelarem um padrão extremamente incomum: ao longo de mais de dois séculos, a linhagem apresentou aproximadamente o dobro de nascimentos de homens em relação a mulheres. O fenômeno levou cientistas a investigar a possibilidade de um chamado “gene egoísta”, um tipo de elemento genético capaz de distorcer as regras normais da herança e favorecer sua própria transmissão para as gerações seguintes.

O estudo da Universidade de Utah analisou extensos registros genealógicos preservados em bancos de dados populacionais nos Estados Unidos, especialmente em linhagens familiares documentadas desde o século XIX. Ao examinar a árvore genealógica, os pesquisadores perceberam que determinados ramos apresentavam uma proporção de filhos homens próxima de 2 para 1, um valor significativamente acima do esperado pela biologia humana, que normalmente produz uma razão próxima de 50% para cada sexo.

Homens predominantes

Segundo os cientistas, a explicação mais plausível pode estar em um fenômeno conhecido como “distorção de segregação”. Nesse processo, certos genes conseguem “trapacear” o mecanismo padrão da herança genética, garantindo que sejam transmitidos a uma proporção maior de descendentes do que seria esperado pelas leis clássicas de Mendel. Em vez de cada variante genética ter 50% de chance de ser herdada, esses elementos podem aumentar artificialmente suas chances de transmissão.

No caso da família estudada, os pesquisadores suspeitam que o efeito esteja ligado ao cromossomo Y, responsável pela determinação do sexo masculino. A hipótese é que uma variação nesse cromossomo esteja favorecendo espermatozoides portadores do Y — que geram filhos homens — em detrimento daqueles que carregam o cromossomo X, que resultariam em filhas. Esse mecanismo produziria sistematicamente mais meninos ao longo das gerações.

Esse tipo de “gene egoísta” já foi identificado em várias espécies de animais e plantas. Em algumas delas, elementos genéticos conseguem manipular a reprodução a ponto de quase eliminar um dos sexos em determinadas populações. Entretanto, encontrar evidências desse fenômeno em seres humanos é muito mais raro, principalmente porque famílias humanas costumam ter poucos filhos, o que dificulta detectar padrões estatísticos claros.

Os pesquisadores ressaltam que a descoberta ainda é preliminar. Embora os dados genealógicos indiquem um forte viés na proporção de sexos, ainda será necessário identificar com precisão qual mutação ou região do DNA estaria provocando o efeito.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.