Galáxia cria estrelas 180 vezes mais rápido que a Via Láctea
Observada a mais de 13 bilhões de anos-luz, a galáxia MACS0416_Y1 desafia teorias sobre a formação das primeiras estruturas cósmicas

Uma equipe internacional de astrônomos identificou uma galáxia inédita que funciona como uma verdadeira “fábrica de estrelas”, produzindo novas formações estelares em um ritmo e sob condições de calor nunca antes observadas.
Batizada de MACS0416_Y1 — ou simplesmente Y1 —, ela está localizada a mais de 13 bilhões de anos-luz da Terra, e sua luz começou a viajar até nós quando o Universo tinha apenas 600 milhões de anos. A descoberta, publicada na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, oferece pistas valiosas sobre como as primeiras galáxias evoluíram tão rapidamente.
Usando o poderoso telescópio Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), no deserto do Atacama, no Chile, os pesquisadores conseguiram medir com precisão inédita a temperatura da poeira cósmica dessa galáxia. Essa poeira, aquecida pela luz de estrelas recém-nascidas, alcança 90 Kelvin (–183°C) — uma temperatura extremamente quente para padrões cósmicos.
Quando vimos o quão brilhante essa galáxia era, soubemos que estávamos diante de algo especial”, disse Tom Bakx, líder do estudo e professor da Universidade de Tecnologia de Chalmers, na Suécia.
Impressionante
A Y1 forma estrelas a uma taxa 180 vezes superior à da Via Láctea, gerando cerca de 180 massas solares por ano. De acordo com o coautor Yoichi Tamura, da Universidade de Nagoya, no Japão, esse ritmo vertiginoso não pode ser sustentado por longos períodos. O fenômeno ajuda a explicar um antigo mistério da astronomia: o motivo pelo qual galáxias jovens parecem conter mais poeira do que suas estrelas poderiam produzir.
“Mesmo que essas galáxias ainda sejam jovens e não contenham muitos elementos pesados, o que elas têm é quente e brilhante”, explicou Laura Sommovigo, do Instituto Flatiron e da Universidade Columbia, nos Estados Unidos.
Para os cientistas, a Y1 pode representar um elo perdido entre as primeiras galáxias e as estruturas mais maduras observadas hoje. Segundo a ‘Revista Galileu’, a equipe pretende agora utilizar o ALMA e o Telescópio Espacial James Webb para buscar outras galáxias do mesmo tipo.
“Queremos entender se essas explosões de formação estelar foram comuns e como moldaram o crescimento das primeiras galáxias”, afirmou Bakx. Caso novas descobertas confirmem o padrão, o Universo primordial poderá ser ainda mais dinâmico e brilhante do que se imaginava.
*Sob supervisão de Fabio Previdelli