Fungo pode sobreviver à viagem até Marte e arrisca contaminação
Pesquisa aponta que esporos de fungos podem resistir a condições extremas do espaço em trajeto até Marte; entenda!

Uma nova pesquisa científica reacendeu um debate delicado na exploração espacial: o risco de contaminação biológica de outros planetas por organismos terrestres. Segundo o estudo, certos fungos possuem esporos capazes de sobreviver a praticamente todas as etapas de uma missão até Marte — da montagem da nave ao ambiente hostil do planeta vermelho.
Os pesquisadores analisaram microrganismos encontrados em salas limpas da NASA, ambientes altamente controlados onde espaçonaves são montadas justamente para evitar contaminações. Mesmo nesses locais, algumas espécies de fungos demonstraram uma resistência surpreendente, conseguindo persistir após processos rigorosos de desinfecção.
Fungo em Marte?
O foco do estudo foi o A. calidoustus, um tipo específico de fungo cujos esporos — estruturas microscópicas responsáveis pela reprodução — mostraram capacidade de resistir a condições extremas, como radiação intensa, variações de temperatura e baixa pressão. Em simulações que reproduziram o ambiente espacial e marciano, esses esporos permaneceram viáveis, o que sugere que poderiam sobreviver durante uma missão interplanetária.
A descoberta é relevante porque amplia a compreensão sobre os limites da vida. Fungos já eram conhecidos por sua resiliência, mas a nova pesquisa indica que organismos eucariontes — mais complexos que bactérias — também podem suportar as condições severas do espaço.

Apesar disso, os cientistas fazem um alerta importante: o fato de esses organismos conseguirem sobreviver não significa que a contaminação de Marte seja inevitável. O próprio estudo ressalta que a probabilidade ainda é considerada baixa, mas suficiente para exigir atenção redobrada em protocolos de segurança.
Esse tipo de preocupação faz parte de uma área conhecida como “proteção planetária”, que busca evitar a contaminação cruzada entre a Terra e outros corpos celestes. A lógica é dupla: impedir que microrganismos terrestres alterem ambientes extraterrestres — o que poderia comprometer futuras buscas por vida — e também evitar que possíveis formas de vida alienígena tragam riscos ao nosso planeta.