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Fósseis de 1 milhão de anos expõem extinção na Nova Zelândia

Descoberta em caverna revela fósseis de 16 espécies extintas por erupções e mudanças climáticas muito antes da chegada dos humanos

Ilustração de caverna na Nova Zelândia onde fósseis de 1 milhão de anos foram encontrados / Crédito: Paul Scofield / Museu de Canterbury

Uma descoberta na Nova Zelândia está reescrevendo a história natural da região. Cientistas da Universidade Flinders encontraram uma “cápsula do tempo” em uma caverna na Ilha Norte, contendo fósseis de 1 milhão de anos.

O estudo publicado na revista Alcheringa traz novos dados sobre a evolução das espécies locais.

Biodiversidade em transformação

Durante as escavações em Waitomo, a equipe identificou restos mortais de 16 espécies extintas. Desse total, foram catalogadas 12 espécies de aves e quatro de rãs, oferecendo um panorama inédito da biodiversidade pré-histórica.

Segundo o pesquisador Trevor Worthy, esse material fóssil representa uma fauna muito diferente daquela encontrada em períodos posteriores.

Além disso, a análise minuciosa revelou uma alta taxa de mortalidade pré-histórica. Os dados indicam que entre 33% e 50% das espécies desapareceram muito antes da chegada dos seres humanos. Portanto, o impacto natural foi devastador e anterior a qualquer influência antrópica no local.

Impacto climático e vulcânico

Por sua vez, os indícios apontam que fenômenos extremos foram os grandes responsáveis por moldar os ecossistemas antigos. Erupções vulcânicas e variações climáticas severas desempenharam um papel central nessa transformação ambiental.

Conforme explica o cientista Paul Scofield, esses eventos provocaram alterações rápidas, causando extinções e abrindo espaço para novas espécies.

Em conjunto, as evidências confirmam que o processo de destruição ocorreu várias vezes ao longo dos milênios. De acordo com informações repercutidas pela revista Exame, a idade exata dos fósseis foi determinada graças a duas camadas de cinzas vulcânicas distintas. A primeira camada marca uma erupção de 1,55 milhão de anos, enquanto a segunda data de 1 milhão de anos.

Ancestrais de aves neozelandesas

Nesse sentido, a pesquisa trouxe surpresas, como a descoberta da espécie ancestral de papagaio Strigops insulaborealis. A ave é considerada precursora direta do atual kākāpō, mas possuía uma diferença evolutiva crucial. Diferentemente da espécie contemporânea, que não voa, a estrutura óssea do fóssil indica uma provável capacidade de voo.

O sítio ainda revelou ossadas de um ancestral do takahē e de um pombo já extinto. Assim, a caverna de Waitomo se consolida como um registro essencial para entender o passado neozelandês.


*Sob supervisão de Fabio Previdelli