Filho do líder assassinado do Irã é cotado para se tornar próximo chefe de Estado
Segundo filho de Ali Khamenei, que foi assassinado recentemente, Mojtaba Khamenei é o favorito para suceder o pai como líder supremo do Irã

O nome de Mojtaba Khamenei desponta como principal cotado para assumir a liderança suprema do Irã após a morte de seu pai, Ali Khamenei. Caso confirmado, o movimento colocará um representante da ala mais conservadora à frente da República Islâmica em um momento considerado um dos mais delicados desde a fundação do regime, há 48 anos.
Até o momento, não houve anúncio oficial, e a definição pode ocorrer apenas após o funeral de Ali Khamenei, que foi adiado na quarta-feira. A escolha cabe à Assembleia de Peritos, órgão composto por 88 membros responsáveis por selecionar o novo líder entre seis possíveis candidatos. O aiatolá Seyed Khatani, integrante da assembleia, afirmou que o grupo está próximo de uma decisão.
A eventual nomeação de Mojtaba Khamenei é vista como um indicativo de que Teerã não pretende alterar sua postura em relação ao Ocidente, especialmente aos Estados Unidos. Descrito como rígido em suas posições antiocidentais, ele não seria o nome preferido do presidente americano Donald Trump. Marco Rubio, secretário de Estado americano, afirmou na terça-feira que o Irã é governado por “fanáticos religiosos lunáticos” – e a nomeação de Khamenei dificilmente dissipará essa opinião. Trump, por sua vez, declarou que o pior cenário seria se o sucessor de Khamenei fosse “tão ruim quanto o anterior.”
Segundo informações, Mojtaba Khamenei teria sido escolhido pela Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), força de grande influência política e militar no país. O ministro da Defesa de Israel, Gideon Saar, alertou que ele será assassinado. Na terça-feira, Israel realizou um ataque a um prédio na cidade iraniana de Qom, importante centro do islamismo xiita, onde a Assembleia de Peritos estava prevista para se reunir. De acordo com a mídia ligada à IRGC, o edifício estava vazio no momento do ataque.
Aiatolá Mojtaba Khamenei
Nascido em 1969, Mojtaba Khamenei estudou teologia após concluir o ensino médio e, aos 17 anos, participou da guerra Irã-Iraque. Embora seu sobrenome o colocasse sob os holofotes, ele só passou a ganhar projeção pública no fim da década de 1990. Após a derrota do candidato preferido de seu pai, Ali Akbar Nategh Nuri, nas eleições presidenciais de 1997, grupos conservadores passaram por reestruturações internas, processo no qual Mojtaba teria desempenhado papel relevante.
Seu nome também foi associado à repressão dos protestos de 2009, deflagrados após denúncias de fraude eleitoral. Manifestantes chegaram a entoá-lo como um dos responsáveis pela repressão. Mostafa Tajzadeh, figura de destaque entre os reformistas e preso após a votação, alegou que seu julgamento e o de sua esposa ocorreram sob supervisão direta de Mojtaba Khamenei.
Em 2022, ele recebeu o título de aiatolá, requisito considerado essencial para a ascensão ao cargo de líder supremo. Àquela altura, já participava com frequência de reuniões políticas ao lado do pai e exercia influência na Corporação de Radiodifusão da República Islâmica, além de atuar na administração do extenso império financeiro da família.
Entre seus aliados políticos estão Ahmad Vahidi, comandante da IRGC; Hossein Taeb, ex-chefe da inteligência da corporação; e Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do parlamento, repercute o The Guardian.
A possibilidade de uma sucessão com características hereditárias tem sido alvo de críticas de reformistas. O ex-primeiro-ministro Mir Hossein Mousavi escreveu em 2022: “Há 13 anos que se ouve falar desta conspiração. Se não a estão a levar a cabo, por que é que não negam de vez essa intenção?”
Em resposta às críticas, a Assembleia de Peritos rejeitou questionamentos, classificando-os como “falta de sentido das dúvidas” e afirmando que escolherá apenas “os mais qualificados e os mais adequados”.