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Filho acha cadernos do pai e decifra fóssil de 55 milhões de anos

Anotações de Richard Köhler, achadas por seu filho na Universidade de Otago, permitiram identificar um raro predador marinho mumificado de 1,2 metro

Richard Köhler com fóssil de peixe que encontrou na Ilha Pitt, tema de novo artivo / Crédito: Divulgação/Universidade de Otago

Um mistério científico que durava quase três décadas foi finalmente solucionado na Nova Zelândia graças a um encontro fortuito e inesperado. Em junho de 2026, pesquisadores da Universidade de Otago conseguiram catalogar oficialmente um fóssil de peixe de 55 milhões de anos que estava “travado” na literatura científica por falta de dados. 

A peça foi encontrada originalmente em 1999 pelo paleontólogo Richard Köhler em um penhasco remoto na Ilha Pitt, mas as coordenadas exatas da descoberta haviam desaparecido após sua morte.

Relíquia em três dimensões

O espécime, um predador de 1,2 metro, surpreendeu a comunidade acadêmica por sua preservação do tipo “lifelike”. Ou seja, diferente da maioria dos fósseis de peixes que são encontrados achatados como papel pela pressão das rochas, este exemplar manteve seu volume e profundidade originais

De acordo com os registros oficiais da Universidade de Otago, essa conservação tridimensional ocorreu porque o animal foi rapidamente soterrado por tufo vulcânico, uma cinza compactada que “mumificou” sua forma física antes que a decomposição ou o esmagamento pudessem destruí-lo.

Resgate da memória técnica

O avanço na pesquisa só foi possível quando o filho de Köhler, ao organizar os pertences do pai, encontrou os cadernos de campo originais da expedição de 1999. Esses cadernos eram registros técnicos essenciais em que o pesquisador anotava o contexto geológico e a localização precisa do achado. 

A professora emérita Daphne Lee, que liderou a conclusão do estudo, explicou que esses manuscritos forneceram a “certidão de nascimento” necessária para validar a descoberta perante a ciência mundial.

Novo capítulo da ciência

Com os dados recuperados, o peixe foi batizado de Ikawaihere koehleri, uma homenagem ao seu descobridor e ao local de origem, a Baía de Waihere. Conforme publicado no New Zealand Journal of Geology and Geophysics, o animal era um parente antigo dos modernos tarpões e um dos mais completos predadores de perseguição já documentados no Hemisfério Sul

O especialista Mike Gottfried, da Universidade Estadual de Michigan, afirmou que o fóssil é uma peça fundamental para entender como os ecossistemas marinhos se reorganizaram após a extinção dos dinossauros.

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