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Chile suspende proteção a pinguim sob risco de extinção

Decisão do novo governo de José Antonio Kast interrompe medida que ampliaria a proteção ao pinguim-de-Humboldt

Pinguim-de-humboldt apelidado de Holly, que foi submetido à cirurgia
Pinguim-de-humboldt - Divulgação/ Mandai Wildlife Group

A decisão do novo governo do Chile de suspender a proteção ampliada ao pinguim-de-Humboldt acendeu um sinal de alerta entre cientistas, ambientalistas e organizações internacionais. A medida, adotada poucos dias após a posse do presidente José Antonio Kast, interrompe uma política que classificaria a espécie como “monumento natural”, status que garantiria salvaguardas mais rígidas em todo o território nacional.

A mudança reverte uma iniciativa do governo anterior, que buscava reforçar a proteção de uma espécie já considerada em perigo de extinção. O pinguim-de-Humboldt habita principalmente o litoral do Chile e do Peru, sendo peça-chave do ecossistema marinho da região.

A classificação como monumento natural ampliaria as restrições legais contra ações como captura, maus-tratos e destruição de habitat, estendendo a proteção para além das áreas já preservadas. Na prática, isso significaria que qualquer ocorrência da espécie no país estaria automaticamente resguardada por lei — um instrumento considerado essencial diante da rápida queda populacional observada nas últimas décadas.

Pinguim em risco

Estudos indicam que a população do pinguim-de-Humboldt caiu cerca de 50% nos últimos 10 a 20 anos, um declínio atribuído principalmente à perda de habitat, mudanças ambientais, doenças como a gripe aviária e impactos da atividade humana, como a pesca acidental.

A suspensão da medida ocorre em um contexto mais amplo de revisão de políticas ambientais. O novo governo chileno determinou a reavaliação de cerca de 40 decisões adotadas pela gestão anterior, o que inclui diferentes instrumentos de proteção ambiental.

Especialistas criticaram a decisão. Para o pesquisador Guillermo Luna, da Universidade Católica do Norte, a suspensão é “incoerente” e contradiz compromissos nacionais e internacionais de conservação da biodiversidade. Ele alerta que a medida transfere riscos adicionais a uma espécie já vulnerável, além de impactar comunidades que dependem de ecossistemas marinhos equilibrados.

O debate também se conecta a pressões econômicas na região. Áreas fundamentais para a sobrevivência da espécie, como o Arquipélago de Humboldt — onde vive grande parte da população reprodutiva — estão próximas de projetos minerários e portuários controversos, frequentemente criticados por seus potenciais impactos ambientais.

Embora a suspensão não signifique necessariamente o fim definitivo da proteção, ela introduz um cenário de incerteza. Para especialistas, o gesto pode indicar uma mudança de prioridade na política ambiental chilena, com possíveis consequências de longo prazo para a biodiversidade do país.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.