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Extrema-direita suíça propõe limitar população a 10 milhões de pessoas

A proposta de limitar habitantes da suíça a 10 milhões vai a referendo em junho; opositores dizem que a medida isola a Suíça e afeta a economia

Cartazes do partido de extrema-direita SVP na Suíça, em 2007; mensagem anti-imigração é parte da campanha / Creditos: Getty Images

Uma proposta do Partido Popular Suíço (SVP), de extrema-direita, tem chamado a atenção na Suíça. Essa medida propõe que se estabeleça um limite populacional no país de 10 milhões de pessoas.

No entanto, a iniciativa pode ameaçar acordos importantes com a União Europeia, e opositores acrescentam que o impacto econômico seria enorme.

O referendo e a proposta

Foi a partir desse cenário que o governo anunciou na quarta-feira, 10, que um referendo sobre essa iniciativa promovida pelo SVP, intitulada “Não a uma Suíça de 10 milhões”, será realizado em 10 de junho.

De acordo com informações do jornal britânico The Guardian, o projeto enfrenta uma forte oposição de ambos os lados das câmaras do parlamento, da comunidade e de serviços financeiros.

Basicamente, o que o projeto propõe é que o governo e o parlamento suíço, ao verificarem que a população do país atingiu mais de 9,5 milhões, comecem a negar a entrada de recém-chegados.

Isso inclui até mesmo requerentes de asilo e familiares de residentes estrangeiros. Atualmente, a população da Suíça está na marca de cerca de 9,1 milhões de pessoas.

Medidas drásticas e contexto

O texto ainda diz que, caso a população chegue a 10 milhões, novas restrições terão que ser aplicadas. Além disso, em uma medida mais drástica, caso o governo não consiga fazer o número populacional cair, seria obrigado a se retirar do acordo de livre circulação que mantém com a UE — um de seus maiores mercados de exportação.

Na última década, a população da Suíça cresceu cerca de 5 vezes mais rápido do que a média dos países vizinhos da UE. Um dos fatores principais para isso foi o alto nível de sucesso econômico do país, que acabou atraindo tanto trabalhadores pouco qualificados quanto expatriados corporativos com salários altos.

Os números da última divulgação do governo apontaram que cerca de 27% dos residentes suíços não são cidadãos.

Oposição e riscos econômicos

O SVP, que é o maior partido político do país e ocupa o primeiro lugar nas eleições desde 1999, apontou que essa explosão populacional estaria sobrecarregando estruturas e serviços públicos, além de elevar o valor dos aluguéis. O partido desde sempre é muito empenhado em campanhas contra imigração.

Apesar disso, algumas de suas propostas mais recentes não tiveram muito sucesso, como a de 2016, que visava deportar automaticamente imigrantes culpados até de delitos leves, e a de 2020 que plaejava acabar com a livre circulação com a UE.

Mas o cenário mudou com a campanha de “Não a uma Suíça de 10 milhões”, que demonstrou um apoio de 48% dos eleitores. Porém mesmo assim, opositores tentam barrar a proposta, alegando que ela coloca em risco acordos bilaterais com a UE, incluindo um acordo do ano passado que beneficia extremamente a Suíça.

Além disso, a Economiesuisse, uma das importantes associações empresariais, descreveu a medida como “iniciativa do caos”. A entidade fez um alerta, lembrando às empresas suíças que a maior parte delas depende de mão de obra da UE e de outros países europeus.


  • Sob supervisão de Giovanna Gomes