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Ex-soldado britânico é absolvido de acusações sobre o Domingo Sangrento

Conhecido como Soldado F, o veterano foi absolvido de acusações de assassinatos do Domingo Sangrento, que marcou a história da Irlanda do Norte

Soldados do Exército Britânico montam um bloqueio na estrada Belfast / Créditos: Getty Images

Um ex-soldado do Exército Britânico, conhecido como Soldado F, foi inocentado nesta quinta-feira, 23, das acusações de assassinato relacionadas ao Domingo Sangrento, após semanas de julgamento.

O veterano havia sido acusado após o regimento de paraquedistas matar a tiros 13 manifestantes que lutavam pelos direitos civis em Derry, na Irlanda do Norte, em 1972.

O caso aconteceu há mais de 50 anos. O Soldado F estava sendo julgado por dois assassinatos e cinco tentativas de assassinato durante o evento em que manifestantes saíam às ruas pedindo o fim das prisões sem julgamento impostas pelo governo britânico.

Decisão sem júri

A decisão foi proferida pelo juiz Patrick Lynch, no Tribunal da Coroa de Belfast, cinco semanas após o início do julgamento. Conforme repercutido pelo jornal The Guardian, o evento foi acompanhado por nacionalistas, grupos de veteranos do Exército e membros dos governos britânico e irlandês. O caso foi conduzido sem júri, o que é permitido em situações excepcionais.

Conhecido como Soldado F, ele foi um ex-cabo de lança e vinha se declarando inocente dos assassinatos de James Wray e William McKinney, além da tentativa de assassinato de outras cinco pessoas. O veterano solicitou anonimato, concedido por ordem judicial, e permaneceu escondido por cortinas no banco dos réus.

Parentes e apoiadores das vítimas do Domingo Sangrento / Créditos: Getty Images

Domingo Sangrento

No dia 30 de janeiro de 1972, as tropas britânicas abriram fogo contra uma multidão de civis, atingindo 31 pessoas e matando 13. O episódio ficou conhecido como Domingo Sangrento, um dos momentos mais violentos do conflito na Irlanda do Norte, durante a luta por direitos civis e contra o domínio britânico. Uma outra vítima, que ficou internada e morreu posteriormente, é considerada a 14ª vítima do episódio.

Os familiares dos mortos fizeram campanha por décadas pedindo por processos e justiça, considerando o julgamento do Soldado F muito importante. No entanto, grupos de veteranos do Exército consideram a iniciativa uma caça às bruxas.