Ex-rei da Espanha nega rumores de romance com princesa Diana
Aos 87 anos e exilado nos Emirados Árabes, Juan Carlos aborda rumores, escândalos e sua versão da história em novo livro

O rei Juan Carlos, antigo monarca da Espanha, voltou aos holofotes ao falar abertamente sobre os rumores de um suposto envolvimento amoroso com a princesa Diana em suas novas memórias, reunidas no livro “Reconciliação”, que será lançado em 5 de novembro, na França.
Aos 87 anos e vivendo há cinco anos em exílio autoimposto nos Emirados Árabes Unidos, o ex-rei dedica o livro a revisitar sua ascensão ao poder, o fim da ditadura franquista, e os escândalos pessoais que mancharam sua imagem. Em um trecho antecipado pelo jornal The Telegraph, ele nega veementemente ter tido um caso com a princesa de Gales, apesar de reconhecer que sua reputação de mulherengo alimentou especulações.
“Fria e distante”
Nas memórias, Juan Carlos descreve Diana de forma pouco lisonjeira, chamando-a de “fria, taciturna e distante, exceto na presença dos paparazzi”. Os boatos sobre um possível flerte entre os dois surgiram após três verões consecutivos (1986 a 1988) em que a princesa, o então Príncipe Charles e seus filhos William e Harry passaram férias no Palácio de Marivent, residência de verão da família real espanhola, em Palma de Maiorca.
Durante as estadias, Diana e o rei foram frequentemente fotografados juntos no iate real Fortuna, acompanhados de outros membros da realeza europeia. À época, o casamento de Diana enfrentava crises públicas devido ao caso extraconjugal de Charles com Camilla Parker Bowles, o que intensificou as especulações.
Embora nunca tenha falado abertamente sobre o tema, Diana confidenciou ao biógrafo Andrew Morton que o rei espanhol era “um pouco atencioso demais”. Segundo o livro “Ladies of Spain”, ela chegou a dizer a amigos que “nada aconteceu”, mas que se sentia desconfortável a sós com ele, descrevendo-o como “um homem muito libidinoso”.
Prestígio e Escândalos
Juan Carlos ascendeu ao trono em 1975, após ser nomeado sucessor do ditador Francisco Franco. Contra as expectativas, o novo rei promoveu reformas democráticas e ajudou a consolidar a transição política da Espanha, chegando a impedir tentativas de golpe de Estado nos anos seguintes — o que lhe rendeu prestígio internacional.
Mas sua imagem começou a ruir em 2013, quando vieram à tona escândalos de corrupção, casos extraconjugais e a polêmica caça a elefantes na África, vista como um símbolo de excessos. Pressionado pela opinião pública, o rei abdicou do trono em 2014, transferindo o poder a seu filho, o atual rei Felipe VI.
Em 2020, Juan Carlos deixou a Espanha e se estabeleceu em Abu Dhabi, alegando querer evitar que seus problemas pessoais prejudicassem o reinado do filho. Sua esposa, a rainha Sofia, permanece em Madri e segue representando a monarquia em eventos oficiais.
“Procurei um lugar onde jornalistas do meu país não pudessem me encontrar facilmente”, disse o ex-rei ao jornal francês Le Figaro.
Enquanto o governo espanhol se prepara para as comemorações dos 50 anos da morte de Franco, no próximo 20 de novembro, o papel de Juan Carlos nas cerimônias ainda é incerto. Mesmo após algumas visitas ocasionais à Espanha, sua posição dentro da família real segue delicada.
Segundo o ‘PEOPLE’, o monarca afirmou que decidiu escrever “Reconciliação” para reafirmar seu legado histórico e defender sua contribuição à democracia. “A democracia não caiu do céu!”, declarou ao Le Figaro, em tom de desabafo.