Ex-príncipe Andrew teria vazado informações confidenciais a Jeffrey Epstein
Documentos recém-divulgados apontam que o ex-príncipe Andrew teria vazado informações confidenciais a Jeffrey Epstein quando trabalhava para o governo Britânico

De acordo com informações contidas nos arquivos de Jeffrey Epstein divulgados recentemente pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, o ex-príncipe Andrew, irmão mais novo do rei Charles III, teria compartilhado informações confidenciais com o financista condenado por crimes sexuais enquanto exercia funções oficiais para o governo britânico.
Em 2010, Andrew teria encaminhado a Epstein um e-mail contendo ao menos quatro avaliações confidenciais produzidas durante seu período como enviado comercial global do Reino Unido. A revelação levou especialistas a defenderem a abertura de uma investigação criminal envolvendo seu nome. O cenário é semelhante ao que vem sendo discutido no caso de Peter Mandelson, embaixador britânico nos Estados Unidos, que também aparece ligado a Epstein.
O primeiro-ministro Keir Starmer enfrenta crescente pressão política após a saída de seu principal assessor, o ex-chefe de gabinete Morgan McSweeney, que pediu demissão depois de ter indicado Mandelson para o cargo diplomático no ano passado.
As mensagens revelam que os documentos foram enviados a Epstein poucos minutos depois de Andrew tê-los recebido. Pelas diretrizes oficiais do governo britânico, enviados especiais têm a obrigação de preservar a confidencialidade de informações sensíveis, sejam elas de natureza comercial, política ou diplomática, relacionadas a compromissos oficiais.
Influência de Epstein
Segundo o portal Monet, os novos documentos evidenciam o alcance da influência de Epstein em círculos da economia britânica. O material sugere ainda que Mandelson teria compartilhado informações sensíveis com o mercado financeiro durante seu período como ministro.
“A falha em investigar Andrew em relação a uma série de supostas atividades é um escândalo nacional da mesma magnitude que o caso Mandelson. Esses e-mails mostram que ele abusou de sua posição. A polícia simplesmente precisa saber o que havia nesses e-mails. Se ele divulgou informações de importância nacional, em uma posição de confiança pública, quando era financiado pelos contribuintes, isso deve ser investigado como um ato criminoso. Ele tinha acesso a pessoas no topo da hierarquia por causa desse cargo. O que ele estava fazendo vazando informações para um pedófilo?”, completou.
Na época em que os dados teriam sido vazados, Andrew realizava viagens oficiais ao Vietnã, Singapura, China e Hong Kong, participando de jantares, reuniões e negociações comerciais com autoridades locais. Dessas agendas resultaram quatro atas elaboradas por Amit Patel, então conselheiro especial do príncipe, que foram enviadas a Andrew às 14h57 do dia 30 de novembro de 2010. Apenas cinco minutos depois, às 15h02, o conteúdo foi encaminhado a Epstein.