Ex-presidente da Barclays foi um dos administradores de Epstein
Apesar de alegar que não possuía uma relação próxima com o condenado, Jeffrey Epstein, assinatura do banqueiro aparece em novos documentos divulgados

Este mês, o jornal The Guardian revelou que promotores de justiça analisaram as acusações de estupro e agressão física contra o ex-diretor da Barclays, Jes Staley, que nega qualquer envolvimento e nunca foi acusado formalmente por essas alegações.
As acusações contra Staley surgiram após ele ser citado nos documentos que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos estão revelando sobre o caso de Jeffrey Epstein.
Documentos que vieram à tona na quinta-feira levantaram dúvidas sobre a veracidade do depoimento prestado em juízo sobre sua relação com o falecido e condenado por crimes sexuais.
Uma cópia do Jeffrey e Epstein 2014 trust foi divulgada pelo Financial Times, o documento é um acordo de 23 páginas que detalha dezenas de milhões de dólares em legados e isenções de empréstimo que entrariam em vigor após a morte do condenado, conta o The Guardian.
A assinatura de Staley consta no documento, datado em novembro de 2014, onde ele é nomeado um dos três administradores.
O banqueiro foi nomeado como administrador da herança de Epstein até 2015, conforme consta em documentos que contradiz a versão contada por Staley em juízo.
Embora não tenha provas de que o pagamento foi realizado, no acordo consta que cada administrador receberia um salário anual de U$250.000, mais de 1 milhão de reais.
Staley trabalhou até 2013 na JP Morgan, onde atuou por três décadas, antes de trabalhar no fundo de hedge Blue Mountain Capital e foi nomeado como diretor executivo da Barclays em outubro de 2015. No ano de 2021, renunciou seu cargo de diretor após reguladores da City iniciarem investigações sobre sua ligação com Jeffrey Epstein.
O ex-diretor alegou não ser próximo de Epstein durante um interrogatório feito por um advogado da Autoridade de Conduta Financeira em março de 2025. “O fato de eu ter recusado ser um administrador de seu patrimônio pode ser um indicativo de que eu não era um amigo pessoal próximo”, afirmou.
Administrador fiduciário
Sua assinatura levantou dúvidas sobre a veracidade de provas apresentadas durante a tentativa de anular a proibição vitalícia imposta pelo órgão regulador da cidade por conta de sua ligação com Epstein.
O documento fideicomisso, divulgado pelo Departamento de Justiça dos EUA, parece mostrar que de fato Staley atuou como um administrador fiduciário. Jeffrey Epstein assinou em novembro de 2014, a assinatura de “James e Staley” também aparece, com a data de 26 de novembro do mesmo ano, ao lado de outros dois associados do condenado.
Staley ainda foi nomeado executor em versões de testamento de Epstein, junto com o ex-secretário do Tesouro dos EUA, Larry Summers, embora não tenha sido o executor do testamento final.
O fundo fiduciário foi revogado e substituído por uma nova versão em 2019. O nome de Jes Staley não aparece nessa versão.
O banqueiro segue alegando que sua relação com Jeffrey Epstein era uma relação profissional próxima e que eles não eram amigos. Em 2025 ele ainda afirmou não ter conhecimento das “atividades monstruosas” que ele praticava.