Ex-prefeito critica escolha de ator em Tremembé: ‘Eu sou bonito’
Condenado por corrupção, Acir Filló comentou sobre sua representação na série da Prime Video e relembrou bastidores da prisão

O ex-prefeito de Ferraz de Vasconcelos (SP), Acir Filló, condenado a quase 20 anos de prisão por corrupção, comentou sua representação na série “Tremembé“, do Prime Video. Em entrevista ao roteirista Ullisses Campbell, o político falou sobre sua rotina no presídio e aproveitou para criticar a escolha do ator que o interpreta.
“Maratonei em um dia. Me emocionei ao ver o meu passado retratado na tela. O ator que me interpreta (Marcos de Andrade) é muito talentoso. Mas ele é feio e eu sou um homem bonito. Queria que chamassem o Fábio Assunção, que é galã e tem a minha idade”, brincou Filló.
O ex-prefeito ficou dois anos e quatro meses preso em Tremembé, onde conviveu com nomes como Roger Abdelmassih, Daniel e Cristian Cravinhos, Alexandre Nardoni e Lindemberg Alves. Segundo ele, a série retrata apenas parte da realidade do presídio.
“Condiz em 50%. A série não mostra tudo o que vivi lá. Criei estratégias, treinei presos famosos para audiências com a Justiça, ensaiei respostas para exames criminológicos e entrevistas de TV. Fiz um verdadeiro media training com eles”, contou.
Entre os “alunos” de Filló, estavam Alexandre Nardoni e Lindemberg Alves. “Treinei vários, especialmente os mais conhecidos. Os mais difíceis foram Nardoni e Lindemberg”, afirmou o jornalista.
Bastidores e Revelações
Autor do livro “Diário de Tremembé”, Filló relembrou momentos marcantes dentro da prisão, incluindo uma conversa com Nardoni. “Quando completaram-se 10 anos da morte da Isabella, ele me procurou pedindo material. Levei reportagens e revistas. Quando viu a foto da filha sorrindo, chorou. Ali percebi um homem destroçado. Isso não ameniza a culpa, mas ele sofria. Ficamos íntimos”, disse.
Apesar da convivência, o ex-prefeito afirmou que acredita na culpa de Nardoni. “Ele é 80% culpado. Tenho 20% de dúvida pelas falhas da investigação. O Brasil é amador em investigação criminal. A polícia corre na velocidade da imprensa e erra. Já o Gil Rugai, para mim, é 100% inocente”, opinou.
O livro “Diário de Tremembé” chegou a ser censurado pela Justiça em 2019, o que levou Filló a ser transferido para o Centro de Detenção Provisória de Pinheiros. “Foi proibido porque mexeu com poderosos, inclusive o Roger Abdelmassih. Ele continua influente mesmo preso. É inadmissível censurar um livro num país que diz viver num Estado Democrático”, criticou.
Segundo o UOL, o ex-prefeito também apontou tratamentos diferenciados dentro do presídio. “Daniel e Cristian Cravinhos iam à igreja quando queriam, Gil Rugai vivia na biblioteca e até arranjou um emprego lá. Usava xícaras de porcelana. Nardoni era chefe no almoxarifado e passava o dia segurando uma prancheta. Tremembé é um paraíso”, ironizou.