Estudo sugere que humanos podem ter caminhado como gorilas
Pesquisa analisou ossos do pulso de humanos e gorilas e encontrou semelhanças que podem revelar pistas importantes sobre a evolução

Um novo estudo publicado na revista científica Proceedings of the Royal Society B trouxe evidências que reforçam a ligação evolutiva entre seres humanos e grandes primatas africanos. A pesquisa indica que os ancestrais humanos podem ter se locomovido de maneira semelhante à dos gorilas e chimpanzés atuais, apoiando parte do peso corporal sobre os nós dos dedos durante a caminhada.
Os cientistas chegaram a essa conclusão após comparar a anatomia dos pulsos humanos com a de diferentes espécies de primatas. Foram analisados gorilas e chimpanzés — que utilizam os nós dos dedos para se locomover — além de macacos que caminham apoiando completamente as palmas das mãos no solo. O objetivo era entender quais características ósseas permaneceram ao longo da evolução e quais foram modificadas com o surgimento da postura ereta humana.
Semelhanças com os gorilas
Segundo os pesquisadores, os ossos do pulso humano apresentam uma semelhança muito maior com os dos grandes macacos africanos do que se imaginava anteriormente. Em especial, foram identificadas estruturas responsáveis por estabilizar o pulso durante movimentos de apoio corporal — exatamente o tipo de adaptação necessária para animais que caminham sobre os nós dos dedos.
Apesar de os humanos modernos não utilizarem esse tipo de locomoção, o estudo sugere que essas estruturas não desapareceram totalmente. Em vez disso, a evolução teria reaproveitado essas características anatômicas para outra finalidade: aumentar a precisão e a capacidade de manipulação das mãos humanas. Isso teria sido fundamental para o desenvolvimento do uso de ferramentas e da habilidade de manipular objetos complexos.
Para realizar a análise, os pesquisadores utilizaram tomografias computadorizadas e escaneamentos a laser em 3D de mais de dois mil ossos do pulso pertencentes a espécies vivas e extintas de primatas. A tecnologia permitiu reconstruir digitalmente cada osso e observar pequenas marcas, sulcos e cristas deixadas pelas pressões sofridas durante a movimentação.
Os resultados também ajudam a esclarecer um dos debates mais antigos da paleoantropologia: como ocorreu a transição entre ancestrais arborícolas e os primeiros hominídeos bípedes. Há décadas, cientistas tentam entender se o ancestral comum entre humanos e chimpanzés já possuía características voltadas ao bipedismo ou se a caminhada ereta surgiu posteriormente, de forma independente.