Estudo sugere que ancestrais também se interessavam por cristais
Arqueólogos descobriram machados de mão pré-históricos fabricados com fósseis e cristais, demonstrando o interesse dos Homo erectus

Assim como os humanos modernos, um novo estudo sugere que os nossos ancestrais Homo erectus também compartilhavam o fascínio por pedras brilhantes e geodos.
Em Israel, arqueólogos desenterram dez machados pré-históricos feitos de cristais, rochas que possuem fósseis ou alguma outra anomalia geológica.
De acordo com um artigo publicado na revista Tel Aviv, em 17 de março, os arqueólogos acreditam que esses artefatos, criados entre 500.000 e 200.000 anos atrás, foram confeccionados com rochas selecionadas.
Os cientistas não conseguem ter uma certeza da motivação da espécie, em relação às ferramentas, devido à sua extinção entre 117.000 e 108.000 anos atrás. Apesar disso, suspeitam que eles se conectavam à sua compreensão cosmológica do mundo, reconhecendo os fósseis e geodos como vestígios de um tempo e lugar primordiais e os relacionando com um símbolo de poder.
Os pesquisadores do estudo acrescentaram no artigo: “Partimos do pressuposto de que fósseis, geodos e outros fenômenos geológicos tinham um impacto poderoso sobre as pessoas com que interagiam, e eram percebidos como elementos essenciais para sustentar a vida e garantir a prosperidade tanto dos humanos quanto do cosmos, incluindo todos os elementos dos quais os humanos dependem”.
A descoberta
Em 2024, no Vale de Sakhnin, em Israel, o pesquisador independente e coautor do estudo, Muataz Shalata, descobriu alguns machados de mão, ao reconhecer a importância do achado entrou em contato com Ran Barkai, arqueólogo da Universidade de Tel Aviv, e os dois começaram a realizar buscas.
Barkai contou ao IFLScience que quando Shalata tirou um machado de mão de sua bolsa e entregou a ele com os fósseis virados para baixo, fazendo com que a face parecesse a de um machado comum. “Mas quando eu virei, fiquei realmente chocado. Foi a primeira vez que vi algo assim… foi um momento realmente impressionante”.
Os autores do estudo afirmam que os machados representam a maior concentração de ferramentas de pedra com fósseis e geodos descobertos até hoje.
Evidências arqueológicas sugerem que esses ancestrais, que evoluíram há aproximadamente dois milhões de anos no território africano, eram grandes fabricantes de ferramentas.
Como fabricar e esculpir machados com essas anomalias geológicas não era uma tarefa fácil, pesquisadores acreditam que os ancestrais não pegaram essas rochas acidentalmente. Em vez disso, as evidências sugerem que eles selecionaram intencionalmente as pedras incomuns para esse propósito, repercutiu a Smithsonian magazine.
Barkai acredita que esse trabalho pode estar relacionado a diminuição dos elefantes, fonte de comida, com isso, eles provavelmente ficaram assustados e buscaram qualquer solução possível.
“Não há indícios de que fizessem algo além de viver como chimpanzés, da melhor maneira possível, talvez se sentindo atraídos por objetos brilhantes, mas não faziam nada com ele. Começamos a ver coisas como os machados de mão em Sakhnin porque as pessoas começaram a entender que tinham um problema com o mundo e precisavam encontrar uma solução”, disse Barkai ao Haaretz.
Outros pesquisadores, no entanto, não acreditam na teoria de que eles estavam em busca de assistência cósmica e que precisam de mais evidências inferenciais para fortalecer a interpretação de comportamento simbólico.
As evidências sugerem que os ancestrais coletam pequenos cristais há pelo menos 780.000 anos. Além disso, outras pesquisas sugerem que o interesse em rochas brilhantes podem ter origens evolutivas, visto que pesquisas mostraram que chimpanzés também se interessam por cristais.
Humanos e chimpanzés possuem um ancestral comum há aproximadamente seis a oito milhões de anos. Com isso, as descobertas sugerem que “temos cristais em mente” durante esse tempo, afirmou o autor principal do estudo, Juan Manuel García-Ruiz, em comunicado.