Estudo liga antigos templos divinos da Mesopotâmia à medicina
Análise de tabuletas da Mesopotâmia mostrou que ir a templos divinos era parte essencial do tratamento de doenças específicas

Examinando antigos santuários divinos, um novo estudo tem como objetivo verificar como esses espaços se alinhavam a prática médica da antiga Mesopotâmia. A pesquisa foi publicada na revista Iraq, em dezembro de 2025.
A partir de análises de prescrições cuneiformes do segundo e primeiro milênio a.C., o pesquisador Troels Arbøll conseguiu identificar um pequeno grupo de textos que orientavam pacientes a, antes de iniciar qualquer tratamento, visitar o santuário de um deus.
Textos raros
No decorrer da história, sempre foi muito raro encontrar tabuletas médicas que sobreviveram. E os curandeiros mais conhecidos da época, como o asû e āšipu, trabalhavam fora das instituições dos templos, em especial em períodos mais antigos.
Para a pesquisa, que busca entender como a prática religiosa se interligava com a cura, mesmo poucos registros são importantes. No caso, Arbøll identificou apenas 12 prescrições no meio de seis manuscritos que indicavam a prática de buscar um santuário.
Divindades e doenças
De acordo com informações repercutidas pela revista Archaeology News, entre os seis textos achados, cinco deles eram relacionados a doenças de ouvido, e um outro a um órgão que chamavam de ṭulīmu — associado na maioria das vezes ao baço ou ao pâncreas.
Em todos esses casos, há uma orientação que indica ao paciente a necessidade de ir a um santuário de uma divindade específica. Entre as divindades mencionadas estão: Sîn, Ninurta, Šamaš, Ištar ou Marduk. E cada um deles possuía papéis distintos.
Rituais e oferendas
Além disso, foi encontrado também um termo comumente usado para santuário, aširtu. Ele podia se referir a um grande complexo de templos ou a um santuário local, ou privado, de tamanho menor, que ficaria dentro de uma casa.
Segundo registros arqueológicos, a visita aos templos era algo que fazia parte da terapia. Então, quando essas pessoas chegavam ao santuário, elas podiam provavelmente recitar orações, realizar rituais ou entregar oferendas.
Um exemplo estudado é o do templo da deusa da cura Gula, em Isin. No local, os arqueólogos encontraram estatuetas votivas associadas a doenças e à recuperação. Isso reforça que os objetos podiam ser levados por enfermos que carregavam itens representando sua condição, deixando-os lá para que seus pedidos de cura fossem atendidos.
Em busca da sorte
Essas práticas faziam sentido dentro do tratamento de doenças. Acreditava-se que, se os pacientes buscavam pela boa sorte, as aplicações dos medicamentos e dos rituais do curandeiro tinham um resultado melhor. Na visão dos mesopotâmicos, a doença tinha um significado prognóstico, o que sugeria que, se aparecessem sinais desfavoráveis, isso podia afetar o tratamento.
Por isso, segundo o resultado da pesquisa, eles sempre buscavam, por meio dessas práticas ritualísticas, evitar o azar. Não era necessariamente um domínio desses templos a medicina mesopotâmica, mas casos específicos tinham a intervenção divina como parte do tratamento. O estudo ajuda a esclarecer a relação ritualística entre o lar, o santuário e o curandeiro na luta pelo tratamento de doenças específicas na época.