Embora a maioria das pessoas pense que enfermidades como a peste bubônica, a hanseníase e a cólera ficaram restritas à história, esses males seguem circulando e provocando vítimas em várias partes do mundo. A confirmação de um caso de peste bubônica nos Estados Unidos no final de agosto reverberou internacionalmente e reacendeu o debate sobre doenças consideradas “arqueológicas”.
Especialistas afirmam que o retorno desses patógenos está ligado a fatores como condições socioeconômicas precárias, falta de saneamento básico, acesso desigual aos serviços de saúde e falta de vacinas eficazes para erradicação. No caso da hanseníase, por exemplo, embora tenha diminuído em regiões desenvolvidas com melhor infraestrutura, ela permanece endêmica em países como o Brasil, que registrou 22.129 novos casos em 2024, correspondendo a 12,8% do total mundial.
Perigos da Idade Média
A cólera, por sua vez, cuja história remonta ao século 12, segue atual: entre janeiro e agosto de 2025, foram notificados aproximadamente 462.890 casos e 5.869 mortes em 32 países. Apesar de não haver casos autóctones no Brasil desde 2006, especialistas alertam que o risco não está descartado, especialmente em contextos de precariedade sanitária ou crises hídricas.
Essas doenças reforçam que erradicar um agente infeccioso é tarefa extremamente difícil: a única infecção humana erradicada de fato é a varíola, declarada eliminada em 1980. Os demais patógenos continuam a existir em ecossistemas humanos ou animais, prontos para reaparecer. A persistência desses males evidencia a urgência de políticas públicas voltadas não apenas para tratamento, mas para prevenção estrutural — que envolva água potável, esgotamento sanitário, vigilância epidemiológica, criação de vacinas e redução das desigualdades sociais.