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Estudo identifica osso de elefante na Espanha usado na guerra de Aníbal

O estudo revela que o osso achado em Córdoba é a única prova física dos elefantes de Aníbal; pesquisa na Espanha pode confirmar o uso animal na guerra

Desenterrado na Espanha, o osso do tamanho de uma bola de tênis intrigou cientistas por não pertencer a nenhuma espécie nativa / Créditos:Divulgação / Agustín López e Rafael Martínez

Um novo estudo detalha a descoberta de um osso de 2.200 anos em Córdoba, na Espanha. Segundo a pesquisa, o fóssil pode pertencer a um dos elefantes de guerra de Aníbal. O general cartaginês reuniu cerca de 37 elefantes na Península Ibérica antes de sua famosa marcha contra Roma durante a Segunda Guerra Púnica.

Publicado na edição de fevereiro do Journal of Archaeological Science: Reports, a pesquisa analisou um osso do tamanho de uma bola de tênis, encontrado próximo à cidade de Córdoba, no sul da Espanha. Esta pode ser a única evidência direta dos elefantes que foram usados durante a guerra.

Vestígios alpinos

De acordo com informações da revista Live Science, a única evidência mais forte que temos sobre os elefantes na marcha são as terras revolvidas e outros vestígios deixados pelos animais quando passaram por uma passagem alpina, no local que hoje é a fronteira franco-italiana.

Em resposta por e-mail à Live Science, Rafael Martínez Sánchez, arqueólogo da Universidade de Córdoba e principal autor do estudo, afirmou que a descoberta pode se tornar um marco histórico. Segundo ele, até o momento não existiam evidências arqueológicas diretas do uso desses animais em contexto de guerra.

Prova tangível

Portanto, essa descoberta preenche uma lacuna crucial na nossa compreensão sobre as Guerras Púnicas. Até hoje, a lendária campanha de Aníbal era sustentada quase exclusivamente por textos de historiadores romanos e, mais recentemente, por indícios geológicos sutis na fronteira franco-italiana.

Descoberto em 2019, o fóssil estava em uma antiga aldeia fortificada nos arredores de Córdoba, Espanha / Créditos: Divulgação / Agustín López e Rafael Martínez

No entanto, o osso encontrado em Córdoba oferece algo que a terra revolvida dos Alpes não pode dar. Uma prova biológica e tangível da presença dessas ‘máquinas de guerra’ vivas.

Logística militar

Além disso, o achado lança luz sobre a complexa logística militar de Cartago antes mesmo da travessia das montanhas. Ele confirma materialmente que o sul da Península Ibérica serviu como um ponto de preparação vital, onde esses elefantes — prováveis membros da extinta subespécie do norte da África — foram reunidos e treinados.

Dessa forma, o que Sánchez descreve como um ‘marco’ vai muito além da biologia. Trata-se da validação física de uma das manobras militares mais audaciosas da Antiguidade.


*Sob supervisão de Éric Moreira