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Estudo associa ascensão do Reino de Chincha ao uso de guano de aves

Pesquisadores confirmam que o guano foi essencial para sustentar a expansão da sociedade de Chincha, permitindo o cultivo em solos áridos do Peru antigo

As principais aves marinhas produtoras de guano na costa do Peru: o atobá-peruano, o pelicano-peruano e o cormorão-guanay / Créditos: Diego H. e Claude Kolwelter / iNaturalist (CC BY 4.0)

A ascensão do Reino de Chincha, na costa sul do Peru, está diretamente ligada ao guano de aves marinhas. Um novo estudo publicado na PLOS ONE descreve como o fertilizante impulsionou a sociedade pré-incaica. Pesquisadores combinaram evidências arqueológicas, registros coloniais e análises químicas para confirmar a tese.

Assim, os dejetos de aves marinhas transformaram solos arenosos em campos de milho produtivos. Este processo ocorreu em uma das regiões mais áridas do planeta. A descoberta destaca a importância da gestão de recursos para o crescimento de grandes populações antigas.

Evidências em isótopos

De acordo com informações da revista Archaeology News, a equipe científica analisou 35 amostras de milho preservadas em sepulturas de 1150 a 1675 d.C. Eles mediram as razões de isótopos estáveis de nitrogênio, carbono e enxofre nas plantas.

Metade das amostras apresentou níveis de δ15N — um marcador químico que comprova a origem marinha dos nutrientes absorvidos pela planta — extremamente elevados para o ambiente desértico.

Esses resultados correspondem aos padrões de culturas fertilizadas com guano em estudos anteriores. Consequentemente, fica provado que o uso do recurso já era sistemático por volta de 1250 d.C.

O fertilizante vinha de colônias de cormorões e pelicanos alimentados pela rica Corrente de Humboldt. Além do milho, restos de aves marinhas também foram testados para validar o ciclo nutricional.

Legislação e diplomacia

O controle do fertilizante conferiu ao Reino de Chincha um status político sem precedentes. A sociedade era organizada entre pescadores, agricultores e comerciantes que dominavam rotas de longa distância. Devido à importância econômica, os Incas estabeleceram regras rígidas de preservação ambiental.

Além disso, a invasão de colônias ou a matança de aves era punida com penas severas e morte. Isso demonstra uma consciência precoce sobre a renovação periódica dos recursos naturais.

O prestígio local era inegável. O Senhor de Chincha era o único nobre respeitado o suficiente para acompanhar o imperador inca em uma liteira. O estudo agora serve como modelo analítico. Ele ajudará a identificar práticas agrícolas similares em outros sítios costeiros mundiais.


*Sob supervisão de Éric Moreira