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Estruturas de ossos de mamute na Ucrânia revelam novo retrato da vida na Era do Gelo

Novo estudo revela que estruturas de ossos de mamute na atual Ucrânia serviam como abrigos temporários durante a última Era do Gelo

Fotografia da Habitação 4 durante a escavação / Créditos: W. Chu et al., Open Research Europe (2025)

Um estudo publicado na revista Open Research Europe revisita o famoso sítio arqueológico de Mezhyrich, na região de Cherkasy. A partir de análises com datação por radiocarbono avançada em restos de pequenos mamíferos recuperados no local, os pesquisadores revelaram que as grandes estruturas feitas com ossos de mamute funcionavam como refúgios temporários em condições adversas.

As descobertas mostram que os grupos de caçadores-coletores da região eram altamente adaptáveis a ambientes marcados pela escassez de madeira e por paisagens congeladas. Para sobreviver, reutilizavam os ossos maciços de mamutes como material de construção, criando abrigos capazes de oferecer proteção e estabilidade.

Engenhosidade dos caçadores

Nas grandes áreas que hoje são a Ucrânia, antes mesmo de a agricultura revolucionar a vida humana, grupos de caçadores-coletores precisavam lutar pela sobrevivência em invernos extremos. Com isso, podiam optar por engenhosidades incomuns.

E, por várias décadas, pesquisadores refletiam sobre as estruturas feitas de ossos de mamutes e se suas funções eram residenciais, de armazenamento ou simbólicas. E foi em um novo estudo que eles conseguiram pistas mais promissoras.

Cronologia revisada

Após pesquisa feita com ferramentas analíticas mais precisas em restos de pequenos mamíferos, os resultados apresentaram uma cronologia mais confiável do que as anteriores, que eram baseadas somente nos ossos de mamutes. A maior estrutura óssea, “Estrutura Óssea de Mamute 4”, data de aproximadamente 18.248 a 17.764 anos atrás, durante o período mais frio da última Era Glacial.

Ainda segundo informações repercutidas pela revista Archaeology, algo notável na cronologia é o fato de apresentar características de ocupação que durou entre uma única visita e vários séculos. Não que seja impossível diversos grupos terem chegado ali e ficado por períodos de curta duração.

Apesar disso, com base nas evidências, é mais provável que o lugar tivesse uma presença limitada, do que um local onde as pessoas permaneciam por longos períodos. Isso reforça a ideia de que havia um propósito prático nessas estruturas.

Desafios da pesquisa e próximos passos

O estudo também reforça que a forma de coleta dos materiais é decisiva para entender o sítio. Apesar de aprimorarem a cronologia de Mezhyrich, as novas datações ainda mostram incertezas, agravadas pela falta de registros completos de escavações antigas e pelas limitações do próprio método. 

Os autores ainda destacam que só análises adicionais em pontos específicos poderão esclarecer melhor a sequência de uso das estruturas. Além disso, estudos futuros que integrem múltiplos métodos de datação, análises de sedimentos e amostras de carvão poderão, no futuro, mostrar como esses grupos da Era do Gelo retornavam a Mezhyrich e como isso se encaixa em seu padrão de deslocamento.