Estados Unidos voltam a classificar suástica como símbolo de ódio

Reversão ocorre após forte reação pública à política que suavizava a gravidade de emblemas ligados ao racismo, supremacia e antissemitismo

Imagem ilustrativa de uma bandeira com uma suástica - Getty Images

A Guarda Costeira dos Estados Unidos emitiu um novo memorando que restabelece suásticas, forcas e outros emblemas extremistas como “símbolos de ódio”, após críticas intensas à mudança anterior em sua política interna. A versão divulgada recentemente havia rebaixado a exibição desses símbolos para a categoria de itens “potencialmente divisivos”, minimizando o peso histórico e social associado a alguns dos ícones mais reconhecidos do racismo e do antissemitismo.

Diante da repercussão negativa, a corporação revisou a decisão e passou a proibir explicitamente a exibição, distribuição ou uso desses símbolos por qualquer membro da instituição.

A reversão foi anunciada poucas horas depois de o Washington Post reportar a suavização na linguagem da política, que originalmente classificava tais emblemas como “incidentes de ódio potenciais”. A nova diretriz — agora mais rígida — afirma de forma clara: “Símbolos e bandeiras divisivos ou de ódio são proibidos”, listando entre eles suásticas, forcas e ícones adotados por grupos supremacistas.

Em meio à polêmica, o Departamento de Segurança Interna negou que houvesse tentado alterar a política, enquanto a porta-voz Tricia McLaughlin afirmou que a ordem mais recente apenas reforça regras já existentes.

Os símbolos mencionados carregam legados históricos profundos. As forcas são associadas ao terror racial que resultou em milhares de linchamentos de pessoas negras nos Estados Unidos entre o pós-Guerra Civil e o início do Movimento dos Direitos Civis.

Já a suástica representa o regime nazista de Adolf Hitler, responsável pelo Holocausto e pela morte de milhões de pessoas — inclusive mais de 400 mil militares americanos, entre eles cerca de 1.900 membros da própria Guarda Costeira. Para críticos, flexibilizar a classificação desses símbolos seria ignorar o impacto de séculos de violência e ódio.

Repercussão

Parlamentares também reagiram. A deputada democrata Lauren Underwood informou ter se reunido com o comandante interino da Guarda Costeira, almirante Kevin Lunday, que garantiu uma revisão imediata da política e a manutenção de uma proibição explícita. Em pronunciamento, Lunday reforçou que suásticas e outras imagens extremistas continuam completamente vetadas e que qualquer violação será “severamente punida”.

O debate reacende a preocupação com extremismo nas forças armadas americanas, um tema que ganhou destaque após um relatório do Pentágono de 2020 alertar para o risco representado por indivíduos treinados militarmente e simpatizantes de ideologias extremistas.

Segundo a CNN, embora o Secretário de Defesa Pete Hegseth tenha minimizado o problema, especialistas e autoridades defendem que medidas rigorosas são essenciais para preservar a segurança interna e os valores democráticos do país.


*Sob supervisão de Fabio Previdelli