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Esqueleto de cachorro e adaga podem ter composto ritual da Idade da Pedra na Suécia

Esqueleto de cachorro de 5.000 anos e adaga enterrados em pântano foram descobertos por arqueólogos na Suécia, e podem compor antigo ritual misterioso

Adaga e esqueleto de cachorro descobertos em pântano na Suécia ainda enterrados / Crédito: Divulgação/Arkeologerna, SHM

Recentemente, arqueólogos realizaram uma descoberta intrigante na Suécia, onde encontraram o esqueleto de um cão acompanhado de uma adaga de osso no fundo de um pântano. Acredita-se que esses restos tenham cerca de 5.000 anos e possam estar associados a um ritual misterioso da Idade da Pedra.

A singularidade do sepultamento do cão foi identificada durante obras de construção de uma ferrovia de alta velocidade na pequena localidade de Gerstaberg, localizada a aproximadamente 35 quilômetros ao sudoeste de Estocolmo. Especialistas do grupo sueco Arkeologerna anunciaram a descoberta por meio de um comunicado e post no blog na segunda-feira, 15 de dezembro.

Cinco milênios atrás, a lagoa que hoje se apresenta como um pântano era, na verdade, um lago limpo onde as pessoas da Idade da Pedra pescavam. No fundo deste lago, foram encontrados estacas de madeira e fragmentos de um antigo cais, além de uma estrutura feita com ramos entrelaçados de salgueiro e uma cesta de pesca tecida.

Entretanto, o esqueleto do cão e a adaga nas proximidades surpreenderam os arqueólogos envolvidos na pesquisa.

“Encontrar um cão intacto desse período é muito incomum, mas o fato de ele ter sido enterrado junto com uma adaga de osso é quase inédito”, declarou Linus Hagberg, gerente de projeto da Arkeologerna, em uma declaração traduzida.

Embora a raça exata do cão ainda não tenha sido identificada, sabe-se que se tratava de um macho grande e robusto, com idade entre 3 a 6 anos e altura aproximada de 52 centímetros. O animal foi colocado dentro de uma bolsa de couro pesada com pedras para ser afundado a cerca de 1,5 metro.

“É um fenômeno conhecido que cães eram usados ​​em atos rituais durante esse período”, afirmou Hagberg.

Ao lado do esqueleto do cão, os arqueólogos descobriram uma adaga bem preservada com 25 centímetros de comprimento, feita provavelmente de osso de alce ou veado-vermelho. De acordo com o post no blog da Arkeologerna, “adagas desse tipo devem ser consideradas objetos carregados de simbolismo“, sendo que outros exemplos foram encontrados em áreas úmidas e pantanosas da Suécia na Idade da Pedra.

Ritual pré-histórico?

A análise sugere que o cão e a daga foram depositados no lago simultaneamente, indicando que os antigos pescadores que habitavam essa região há 5.000 anos realizaram algum tipo de ato cerimonial ou ritual relacionado ao sepultamento dos objetos, conforme expresso no blog.

Hagberg mencionou que trabalhos adicionais serão realizados nas amostras encontradas, incluindo datação por carbono e análise genética para confirmar a antiguidade das descobertas e para obter mais informações sobre o cão e seus proprietários, repercute o Live Science.

“Por exemplo, podemos ver quando o cachorro viveu, sua idade e o que ele comeu”, explicou Hagberg. “O histórico de vida do cachorro, por sua vez, pode nos dizer mais sobre como as pessoas que o possuíam viviam e se alimentavam”.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.