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Escritos perdidos de Paulo Leminski são resgatados após 40 anos

Acervo com anotações de Paulo Leminski perdidas há 40 anos foi devolvido à viúva Alice Ruiz e filhas do poeta

Imagem do poeta curitibano Paulo Leminski, cujos manuscritos perdidos foram recuperados após mais de quatro décadas / Créditos: Reprodução / Instagram via @nowboardingnb e @pauloleminskioficial

Um envelope histórico contendo anotações esquecidas do poeta Paulo Leminski foi devolvido à sua família após mais de 40 anos.

O material, deixado em uma poltrona de avião no início da década de 1980, esteve guardado em segurança por Ernani Edson de Paula, um ex-funcionário da extinta companhia aérea Varig. Com isso, a valiosa descoberta literária só veio a público recentemente.

A revelação ocorreu quando Caroline de Paula, filha do ex-funcionário, encontrou os papéis e decidiu entregá-los ao jornalista Célio Martins.

Dessa forma, uma cerimônia de devolução foi realizada na quarta-feira, 18, na Biblioteca Pública do Paraná. Na ocasião, o acervo foi entregue diretamente nas mãos da viúva do autor, Alice Ruiz, e de suas filhas, Aurea e Estrela.

Acervo literário resgatado

De acordo com informações da Folha de S. Paulo, dentro do pacote recuperado, encontram-se 12 páginas de manuscritos, contendo ideias diversas e poemas datilografados com correções feitas à mão.

Além disso, o acervo abriga uma tradução para o idioma inglês da canção “Esotérico”, composta pelo músico Gilberto Gil. Esse conjunto de textos oferece uma visão clara e direta do processo criativo intenso do autor curitibano.

Adicionalmente, o achado inclui duas páginas de uma edição de 1982 do antigo suplemento cultural Folhetim. Nesse impresso específico, há um artigo assinado por Leminski que analisa a obra do também poeta Torquato Neto. Portanto, o material não traz obras inéditas, mas recorta com perfeição a mente agitada e produtiva do escritor.

Importância para a memória

As herdeiras do poeta, Aurea e Estrela, assim como sua viúva, a também poeta Alice Ruiz, receberam a notícia com bastante entusiasmo. Segundo Estrela, os documentos comprovam que seu pai mantinha uma produção efervescente, misturando propostas de músicas e exercícios de escrita simultaneamente.

Sendo assim, a descoberta funciona como uma janela autêntica para a rotina intelectual do artista, falecido no ano de 1989.

Por fim, a família acredita que a escrita durante o voo, provavelmente datado de abril de 1983, era uma estratégia do autor para lidar com o seu conhecido medo de aviões.

Para celebrar esse resgate inesperado em plena era digital, Martins confirmou que uma pequena exposição dos itens será organizada na biblioteca. Dessa maneira, o público também poderá prestigiar essa parcela importante da cultura nacional.