Escavações revelam objetos da vida cotidiana da família de Isaac Newton
Arqueólogos encontram utensílios, dedais e até uma jarra com rosto barbudo na antiga casa da mãe do cientista, em Lincolnshire

Arqueólogos do National Trust, em parceria com a York Archaeology, estão desenterrando fragmentos que oferecem uma nova visão sobre a vida doméstica de Sir Isaac Newton e sua família, em Woolsthorpe Manor, perto de Grantham, Lincolnshire. O local, onde o cientista nasceu em 1642 e passou parte da juventude, é alvo de uma escavação de dez dias que busca localizar as fundações da casa construída em 1653 para sua mãe, Hannah Newton, e destruída por um incêndio no início do século 19.
Até o momento, a equipe encontrou uma série de objetos do cotidiano que ajudam a reconstituir a rotina da família: talheres decorativos de Staffordshire slipware, ossos de animais com marcas de preparo de alimentos, três dedais de diferentes tamanhos, fragmentos de agulhas, botões, fichas de jogo conhecidas como jettons e um raro pedaço de jarra do século 17, conhecida como belarmino, moldada com o rosto barbudo de um homem.
“São objetos tão identificáveis e uma verdadeira janela para a vida doméstica da família Newton. Podemos imaginar Hannah e seus filhos usando louças de Staffordshire ou jarras com esse rosto magnífico, enquanto alguém jogava com fichas de jetton perto de quem costurava ou consertava roupas”, explicou Rosalind Buck, arqueóloga do National Trust.
Escavações
A escavação também teve participação do público durante o Festival de Arqueologia, em que famílias puderam se envolver em atividades como escavação, limpeza de achados e identificação de artefatos. “Enquanto algumas famílias passam o verão cavando na areia da praia, oferecemos a chance de cavar na história e ajudar a recuperar parte da vida perdida de Woolsthorpe”, disse Jennie Johns, responsável pela casa e coleções do local.
O terreno onde ficava a antiga residência foi adquirido pelo National Trust há cinco anos. Pesquisas anteriores, feitas pelo South Witham Archaeology Group, pela Universidade de Leicester e apoiadas em um esboço de 1797 do desenhista J.C. Barrow, já haviam indicado o local exato para a escavação.
Muitas das grandes descobertas científicas de Newton aconteceram em Woolsthorpe Manor, especialmente durante os 18 meses em que ele retornou à propriedade após o fechamento da Universidade de Cambridge devido à peste. “Descobrir histórias enterradas é sempre fascinante, mas ainda mais quando estão ligadas a um dos cientistas mais conhecidos da história”, afirmou Laura Parker, da York Archaeology.
Segundo a ‘Archaeology Magazine’, os achados agora farão parte de uma nova exposição em Woolsthorpe Manor, prevista para o próximo ano, oferecendo ao público uma rara oportunidade de ver de perto fragmentos da vida que moldou um dos maiores gênios da ciência.