Entenda como peixe ancestral ouvia os sons do mar com o pulmão
Novas análises de fósseis de celacantos apontam que o peixe ancestral utilizava-se da reverberação da caixa torácica para ouvir no fundo do mar

No dia 14 de fevereiro, na revista de divulgação científica Communication Biology, um artigo foi publicado sobre a já extinta espécie Celacantos. Entretanto, o resultado foi além do esperado: o peixe analisado tinha pulmões muito bem desenvolvidos e que eram cobertos por placas ósseas.
Assim, esse órgão para além da respiração se encarregava de ser uma caixa de ressonância do som exterior dentro do corpo do peixe. Conforme o artigo, novos estudos e análises dos fósseis foram realizados. Inclusive um deles com um acelerador de partículas.
Dessa forma, como adaptação evolutiva, os cientistas apontam que os órgãos de audição eram ligados ao pulmão da espécie ancestral. A espécie é considerada por muitos cientistas como uma pista dos ancestrais dos seres vertebrados terrestres.
Os Cecalantos
De fato, não são todas as espécies de Celacanto que foram extintas, mas as que sobreviveram adaptaram-se para águas mais profundas e, portanto, desenvolveram guelras. Porém, as ossadas analisadas pertencem à um ramo desse grupo de mais de 240 milhões de anos, tendo existido na França do período do triássico, repercute a Revista Galileu.
Logo depois que o síncrotron, acelerador de partículas super potente que emite ondas Raio-x, fez a análise, os pesquisadores do Museu de História Natural de Genebra e da Universidade de Genebra puderam constatar as mudanças evolutivas particulares.
Em comunicado, os autores do artigo destacam:
As imagens revelaram um pulmão ossificado excepcionalmente bem preservado, apresentando estruturas ósseas semelhantes a asas em sua extremidade. Ao mesmo tempo, o estudo de embriões de celacantos modernos destacou um canal que conecta os órgãos da audição e do equilíbrio, localizados em ambos os lados do crânio.”
Presença evolutiva
Contudo, essa característica não é completamente excepcional ao celacantos, outros peixes atuais possuem adaptações semelhantes. Por exemplo, os bagres possuem seus órgãos de audição ligados às bexigas natatórias, função muito semelhante à do ancestral.
Mas o que mais chama a atenção dos cientistas desde o século 20 é que esse animal, para além da sua movimentação surpreendentemente precisa, é a característica caixa torácica, tão desenvolvida que supera a de outros animais mesmo milhões de anos antes. Sendo esse um possível elo perdido da nossa evolução.
*Sob supervisão de Éric Moreira