Egito receberá de volta escultura roubada durante a Primavera Árabe
Após denúncia anônima, governo holandês confirma devolução de escultura milenar roubada durante a Primavera Árabe

Durante uma visita ao Cairo neste domingo, 2, o primeiro-ministro holandês, Dick Schoof, anunciou que o país pretende devolver ao Egito uma escultura antiga, depois que as autoridades comprovaram o roubo e o transporte ilegal do artefato para a Holanda.
Além disso, segundo a Inspeção de Informação e Patrimônio, a peça — uma cabeça com cerca de 3.500 anos — apareceu em uma feira de arte em Maastricht, em 2022. Por conta disso, o governo holandês afirmou que entregará o artefato ao embaixador egípcio na Holanda até o fim do ano. De acordo com as investigações, contrabandistas roubaram o objeto durante os distúrbios da Primavera Árabe, em 2011 ou 2012, conforme repercutiu O Globo.
Após uma denúncia anônima sobre a origem ilegal do objeto, o negociante entregou voluntariamente a escultura”, diz o comunicado à imprensa.
O retorno de um legado faraônico
O Museu Nacional da Civilização Egípcia, no Cairo, informou que o artefato faraônico retrata um oficial de alta patente da dinastia do faraó Tutmés III (c. 1479 – 1425 a.C.), cujo governo fortaleceu a posição do Egito como uma das grandes potências da região.
O advogado Christopher A. Marinello, que ajuda na recuperação de obras de arte perdidas, disse que o valor dos artefatos roubados durante a Primavera Árabe é “incalculável”.
Durante a revolução, ocorreram uma série de roubos em sítios arqueológicos egípcios, segundo informações de autoridades egípcias e americanas. Ao mesmo tempo, houve casos de moradores locais formando correntes humanas para proteger os artefatos durante o auge da Primavera Árabe.
Curiosamente, foi uma sorte a escultura ter aparecido na TEFAF Maastricht (Fundação Europeia de Belas Artes), instituição conhecida por seguir um código de conduta rigoroso, segundo Marinello, fundador e diretor executivo da Art Recovery International.
As peças só aparecem em Maastricht se forem de qualidade museológica” disse ele.
O papel da TEFAF
O chefe de feiras da TEFAF, Will Kornel, explicou que a instituição mantém uma parceria constante com as forças policiais holandesas e internacionais, além de trabalhar em conjunto com expositores, o Art Loss Register — banco de dados global de obras roubadas — e os comitês responsáveis por avaliar a procedência das peças em exibição.
Graças a esses esforços, cada objeto e a procedência das antiguidades foram revisados, e, por esse motivo, a peça foi retirada de venda em 2022, afirmou em comunicado.
Egito celebra seu passado
Durante sua visita de dois dias ao Egito, o primeiro-ministro holandês Dick Schoof participou da inauguração do Grande Museu Egípcio, evento que também contou com a presença do presidente Abdel Fattah el-Sisi, assim como dos líderes da Bélgica e de Luxemburgo.
A inauguração marcou um dos momentos mais simbólicos da viagem diplomática. A cerimônia noturna foi marcada por um espetáculo grandioso, no qual dezenas de dançarinos trajavam roupas faraônicas brancas e douradas. Enquanto isso, feixes de luz e drones sincronizados iluminavam o sítio arqueológico de Gizé, onde, em determinado momento, as projeções formaram a icônica máscara de ouro do rei Tutancâmon — símbolo máximo do Egito Antigo.
Por fim, a ocasião simbolizou a reconexão entre o Egito e seu patrimônio histórico, reforçando o papel do país como guardião de uma das heranças mais antigas da humanidade.