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Economia britânica não colapsou após partida dos romanos, aponta estudo

Estudo sugere que a atividade industrial não apenas persistiu por séculos, como também teve um renascimento durante a Era Viking

O complexo metalúrgico romano durante escavação em 2021 - Crédito: Divulgação/C. P. Loveluck, Antiguidade

Uma pesquisa recente desafiou a noção tradicional de que a economia industrial da Grã-Bretanha entrou em colapso com a retirada dos romanos. Contrariando essa crença, os dados sugerem que a atividade industrial não apenas persistiu por séculos, mas também teve um significativo renascimento durante a Era Viking.

De acordo com o portal Archaeology News, o estudo foi realizado por uma equipe de cientistas das Universidades de Cambridge e Nottingham, entre outras, na antiga cidade romana de Aldborough, situada em North Yorkshire. Aldborough, um importante assentamento da tribo Brigante e centro de produção metalúrgica, foi escolhido como um caso ideal para investigar a continuidade da história industrial britânica desde o período romano até o pós-romano.

O foco da pesquisa foi a extração de um sedimento de cinco metros de comprimento de um canal fluvial antigo próximo a Aldborough. Diferente das amostras retiradas de turfeiras ou núcleos de gelo distantes, essa amostra foi coletada do núcleo da indústria metalúrgica romana britânica. A análise das camadas de poluentes metálicos aprisionados no solo permitiu aos cientistas traçar uma linha do tempo contínua da produção de chumbo e ferro ao longo de mais de 1.500 anos.

Os dados indicam que a produção metálica não sofreu uma queda abrupta após a saída dos romanos por volta do ano 400 d.C. Em vez disso, a atividade continuou nos séculos seguintes, com um aumento na fundição de ferro durante os séculos 5 e 6. A desaceleração significativa só foi observada entre 550 e 600 d.C., possivelmente em decorrência de ondas de peste bubônica e varíola que assolaram a Europa naquele período. Amostras de DNA coletadas em cemitérios nas proximidades confirmam que a peste atingiu o leste da Inglaterra na década de 540, coincidindo com a diminuição da atividade metalúrgica em Aldborough.

Teoria refutada

A fonte destaca que esses achados refutam a teoria convencional que associa a partida romana a uma catástrofe econômica imediata. Os métodos produtivos, incluindo o uso de carvão e fontes minerais estabelecidas sob Roma, perduraram ao longo dos séculos. As evidências revelam “ilhas” locais de resiliência industrial na Grã-Bretanha pós-romana e na Gália setentrional, ao invés de um declínio generalizado.

A atividade em Aldborough foi reativada após a crise do século 6, com indícios de metalurgia renascendo no final do século 8. O auge ocorreu na Era Viking, quando a produção de ferro e chumbo prosperou entre os séculos 8 e 10. Esse crescimento parece estar associado a mudanças econômicas que facilitaram o comércio regional e consolidaram centros de poder real. No século 9, Aldborough pode ter se tornado um centro industrial real, com variações na produção refletindo as tendências sociais e políticas mais amplas.

O registro histórico abrangente também documenta ciclos econômicos posteriores. Um aumento na produção de chumbo e ferro entre os séculos 12 e 13 corresponde aos registros escritos que atestam um crescimento na produção em Yorkshire, confirmado por traços de poluição em lagos suecos e núcleos de gelo nos Alpes.

Embora tenha havido declínios no século 14, a indústria recuperou-se antes de ser novamente impactada pela Dissolução dos Mosteiros promovida por Henrique VIII no século 16. Nesse período, os metais extraídos dos edifícios religiosos tornaram nova fundição inviável economicamente. Contudo, a produção eventualmente recomeçou sob Elizabeth I para sustentar as guerras contra Espanha e França.

Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.