Eclipse solar que ocorrerá em 2027 será o mais longo em 157 anos
Astrônomos afirmam que eclipse solar previsto para agosto de 2027 terá cerca de seis minutos de duração, sendo o mais longo em 157 anos

Um eclipse solar previsto para 2 de agosto de 2027 deverá se tornar um dos eventos astronômicos mais raros das últimas décadas. Segundo especialistas, o fenômeno será o mais longo registrado em 157 anos, com duração aproximada de seis minutos em determinadas regiões do planeta.
De acordo com o astrônomo Marcelo Rubinho, eclipses solares costumam durar apenas entre três e quatro minutos. “É um evento que é raro, porque vai ser um eclipse muito longo, para os padrões normais”, afirmou.
No entanto, infelizmente o fenômeno não poderá ser observado do Brasil. As melhores condições de visualização estarão na Arábia Saudita, embora o eclipse também possa ser visto em partes da Europa e da África, repercute a CNN Brasil.
Astrônomos explicam que a duração incomum está relacionada à posição da Lua em sua órbita. Thiago Gonçalves, diretor do Observatório do Valongo da UFRJ, afirmou que o diferencial do evento é que o satélite natural estará praticamente no perigeu, ponto em que fica mais próximo da Terra.
Segundo Gonçalves, um eclipse de longa duração semelhante ocorreu em 2009 sobre o Oceano Pacífico. Já o fenômeno de 2027 terá início no Oceano Atlântico e, de acordo com os cálculos mencionados pelos especialistas, outro eclipse com características semelhantes só deverá ocorrer novamente em cerca de mais 157 anos.
Roberto Perez, astrônomo do Urânia Planetário, destacou que a distância entre a Lua e a Terra influencia diretamente no tempo de duração do eclipse. Em eventos mais comuns, o satélite costuma estar mais distante do planeta, o que reduz o período em que consegue bloquear a luz solar.
Cuidados na observação de eclipses
Além da raridade do fenômeno, especialistas também alertam para os riscos de observar eclipses solares sem proteção adequada. Mesmo durante o evento, parte da luz do Sol permanece visível, e olhar diretamente para o astro pode causar danos permanentes à visão.
Segundo a Nasa, apenas o momento de “totalidade” de um eclipse solar total — quando a Lua cobre completamente o Sol — é seguro para observação sem proteção ocular. Fora desse breve intervalo, o uso de equipamentos específicos é indispensável.
“Existem diferentes tipos de eclipses, o que significa que existem diferentes tipos de segurança aos quais devemos prestar atenção”, disse a Dra. Carrie Black, oficial do programa da Fundação Nacional de Ciência do Observatório Solar Nacional.
Ela ressaltou que, em eclipses anulares, por exemplo, a superfície do Sol nunca fica totalmente coberta. “Durante um eclipse anular, como a superfície do sol não está completamente coberta, você deve usar óculos ou ver indiretamente o tempo todo”, disse.
Os especialistas alertam que a exposição inadequada pode causar retinopatia solar, condição provocada pela radiação solar que danifica a retina. O problema pode resultar em perda parcial da visão ou cegueira permanente.
Um dos casos citados ocorreu durante o eclipse solar total de 2017, quando uma jovem desenvolveu retinopatia solar em ambos os olhos após utilizar óculos para eclipse que, segundo médicos, não atendiam aos padrões de segurança.
Não existe tratamento específico para a condição. Embora os sintomas possam melhorar ou piorar com o tempo, os danos são considerados permanentes.
Para acompanhar eclipses de forma segura, especialistas recomendam o uso de óculos certificados ou visualizadores solares portáteis. Outra opção é utilizar telescópios, binóculos ou câmeras equipados com filtros solares apropriados.
Quem não tiver acesso a equipamentos certificados também pode observar o fenômeno de maneira indireta. Uma das técnicas mais conhecidas utiliza um projetor pinhole, feito com um pequeno furo em um cartão, capaz de projetar a imagem do eclipse sobre uma superfície sem a necessidade de olhar diretamente para o Sol.