DNA revela genética de mamutes colombianos no México
Sequenciamento inédito em latitudes tropicais aponta que esses mamutes diferiam geneticamente dos encontrados nos EUA e Canadá

Pela primeira vez em regiões tropicais, cientistas conseguiram sequenciar DNA antigo do mamute-colombiano (Mammuthus columbi), espécie endêmica da América do Norte e Central. A pesquisa, publicada em 28 de agosto na revista Science, revelou que os mamutes encontrados no México apresentavam diferenças genéticas significativas em relação a exemplares da mesma espécie no Canadá e nos Estados Unidos.
Os mamutes colombianos, que chegavam a quatro metros de altura e conviviam com os mamutes-lanosos (Mammuthus primigenius), deixaram fósseis espalhados do Canadá até a América Central. No entanto, sua história evolutiva permanecia pouco compreendida. A oportunidade de avançar nesse conhecimento surgiu durante a construção do Aeroporto Internacional Felipe Ángeles, em Santa Lucía, no México, que revelou mais de 100 fósseis da espécie.
Pesquisadores da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM) e parceiros internacionais conseguiram extrair DNA de 83 molares, sequenciando 61 genomas mitocondriais. As amostras, datadas entre 11 mil e 16 mil anos, desafiaram a crença de que o DNA antigo não poderia ser preservado em climas quentes.
DNA de mamutes
O estudo evidenciou que os mamutes colombianos mexicanos divergiram geneticamente de seus equivalentes ao norte. Segundo diz à Live Science Eduardo Arrieta-Donato, coautor da pesquisa, esses animais descendiam de híbridos entre mamutes das estepes e lanosos, mas, ao migrarem para o sul, teriam ficado isolados, o que explicaria sua singularidade genética.
Essa descoberta reforça que a evolução do mamute colombiano “foi muito mais complicada do que pensávamos”, afirmou ao portal o paleogenomicista Federico Sánchez-Quinto. O padrão também foi observado em outras espécies do Pleistoceno mexicano, como ursos-negros e mastodontes, sugerindo que processos únicos ocorreram durante a migração de fauna para os trópicos.
Especialistas destacam ainda a importância simbólica do trabalho: além de abrir novas perguntas científicas, demonstra que laboratórios do Sul Global têm capacidade para realizar estudos de ponta em paleogenômica, tradicionalmente concentrados em países de clima frio.
Para os cientistas, os próximos passos envolvem ampliar a coleta de DNA em diferentes regiões, a fim de compreender melhor a biodiversidade pré-histórica nos trópicos e os fatores que moldaram suas linhagens genéticas.
*Sob supervisão de Fabio Previdelli