Dinossauros eram menos eficientes ao chocar ovos que aves modernas, diz estudo
Pesquisa mostra que oviraptores tinham menor controle térmico e dependiam do calor do ambiente durante processo de incubação; entenda!

Um estudo recente sugere que alguns dinossauros apresentavam menor eficiência na incubação de ovos quando comparados às aves modernas. A pesquisa indica que espécies como os oviraptores dependiam não apenas do calor corporal, mas também das condições ambientais para garantir o desenvolvimento dos embriões.
O trabalho foi conduzido por pesquisadores de universidades de Taiwan, Alemanha e Estados Unidos, com resultados publicados na revista Frontiers in Ecology and Evolution. A investigação se concentrou em dinossauros que viveram entre 70 e 66 milhões de anos atrás, no período Cretáceo, analisando como ocorria o processo de incubação em seus ninhos.
Detalhes do estudo
Para compreender a dinâmica térmica, os cientistas desenvolveram um modelo físico baseado em fósseis conhecidos. A simulação reproduziu o corpo do dinossauro Heyuannia huangi, espécie com cerca de 1,5 metro de comprimento e aproximadamente 20 quilos. O modelo foi construído com materiais como espuma e madeira, enquanto os ovos foram moldados em resina, buscando representar fielmente a disposição observada em ninhadas fossilizadas.
A partir dessa reconstrução, os pesquisadores analisaram como o calor se distribuía entre o corpo do animal, os ovos e o ambiente ao redor. Os resultados apontaram que a posição dos ovos dentro do ninho influenciava diretamente a temperatura recebida por cada um deles.
Em ambientes mais frios, os ovos localizados nas extremidades apresentaram diferenças de temperatura de até 6 °C em relação aos demais. Esse desnível térmico poderia levar à chamada eclosão assíncrona, quando os filhotes nascem em momentos distintos, mesmo pertencendo à mesma ninhada.
Já em condições mais quentes, a variação térmica entre os ovos foi significativamente menor, chegando a cerca de 0,6 °C. Esse dado sugere que o calor externo, especialmente o proveniente do Sol, desempenhava papel relevante no processo de incubação desses dinossauros.
É improvável que grandes dinossauros se sentassem sobre suas ninhadas. Supostamente, eles usavam o calor do sol ou do solo para chocar seus ovos, como as tartarugas. Como as ninhadas dos oviraptor são abertas ao ar, o calor do sol provavelmente era muito mais importante do que o calor do solo”, afirmou Tzu-Ruei Yang, autor sênior do estudo e curador de paleontologia de vertebrados do Museu Nacional de Ciências Naturais de Taiwan, em comunicado.
A pesquisa também comparou esse padrão de incubação com o observado nas aves atuais. Hoje, a maioria das espécies utiliza a chamada incubação por contato, na qual o calor corporal é transferido diretamente para os ovos, mantendo uma temperatura relativamente uniforme durante todo o desenvolvimento.
No caso dos oviraptores, essa estratégia parecia limitada pela própria organização do ninho. Os ovos eram dispostos ao redor do centro, o que dificultava o contato simultâneo com todos eles. Como resultado, esses dinossauros não conseguiam regular a temperatura com a mesma precisão observada nas aves modernas, conforme repercute a Revista Galileu.
Adaptações de sua época
Apesar das diferenças, os autores destacam que esse método não deve ser interpretado como inferior, mas sim como uma adaptação às condições ambientais da época. “As aves modernas não são ‘melhores’ em chocar ovos. (…) Nada é melhor ou pior. Depende apenas do ambiente”, afirmou Yang.
Os pesquisadores também ressaltam que as conclusões têm limitações. O modelo foi baseado em uma reconstrução específica de ninho, e o clima atual, utilizado como referência na simulação, não corresponde exatamente às condições do período Cretáceo Superior. Além disso, é possível que os oviraptores apresentassem um tempo de incubação mais longo do que o das aves contemporâneas.
Ainda assim, o estudo contribui para ampliar o entendimento sobre o comportamento reprodutivo dos dinossauros. Ao combinar evidências fósseis com experimentos físicos, a pesquisa oferece novas perspectivas sobre como esses animais cuidavam de seus ovos e como fatores ambientais influenciavam diretamente o sucesso da reprodução.