Diferenças entre manhã e noite em planeta distante são reveladas por telescópio
Telescópio espacial James Webb registrou diferenças atmosféricas relacionadas ao dia e à noite em exoplaneta; entenda!

Em estudo publicado no último dia 21 na revista Science, pesquisadores analisaram o ciclo de nuvens de um exoplaneta. A pesquisa, que foi possível graças a observações feitas pelo Telescópio Espacial James Webb, revelou como a atmosfera do planeta em questão muda entre manhã e noite e agora pode ajudar a ciência a compreender melhor a composição e a evolução dos chamados “Júpiteres quentes“.
Conforme informações do portal Galileu, o estudo teve como foco o planeta WASP-94A b, que fica na constelação de Microscopium, a cerca de 700 anos-luz da Terra. Segundo os pesquisadores, nuvens de silicato de magnésio, minerais comuns em rochas, se formam durante a manhã no planeta. Contudo, com a chegada da noite, desaparecem.
A fonte explica que os “Júpiteres quentes” recebem esse nome por terem tamanho semelhante ao de Júpiter, mas com temperaturas extremamente elevadas. Esses planetas, vale dizer, orbitam tão perto de suas estrelas que enfrentam intensa radiação e, por isso, são considerados ambientes ideais para estudar fenômenos atmosféricos extremos.
Para investigar WASP-94A b, os cientistas acompanharam sua passagem diante da estrela que orbita. O telescópio James Webb permitiu observar separadamente as duas extremidades do planeta durante o trânsito: o lado em que o ar se desloca da região noturna para a iluminada, equivalente ao amanhecer, e o lado oposto, onde o fluxo segue do dia para a noite, ao entardecer.
Diferença atmosférica
As observações dos cientistas revelaram uma grande diferença atmosférica entre as duas regiões. O lado correspondente à manhã apresentava grande concentração de nuvens de silicato de magnésio, enquanto que o lado do entardecer tinha céu completamente limpo.
“Foi uma enorme surpresa. As pessoas esperavam algumas diferenças, como o fato de ser mais frio de manhã do que à noite — algo natural que experimentamos aqui na Terra”, disse David Sing em comunicado. “Mas o que vimos foi uma verdadeira dicotomia entre o clima em ambos os lados do planeta, e enormes diferenças na cobertura de nuvens, e isso muda completamente nossa visão do planeta.”
Hipóteses levantadas
Os pesquisadores levantam duas hipóteses principais para explicar o fenômeno. Em uma delas, ventos extremamente fortes transportariam as nuvens do lado mais frio para regiões profundas da atmosfera ao chegarem ao lado mais quente. Na outra possibilidade, as nuvens se formariam na região escura e evaporariam ao atingir temperaturas superiores a 1.000 °C no lado iluminado, em um processo semelhante ao desaparecimento da neblina matinal na Terra.
Segundo Sing, as nuvens sempre representaram um dos maiores desafios para o estudo de atmosferas de exoplanetas. Ele compara a análise desses mundos à tentativa de observar algo através de uma janela embaçada. Agora, porém, os cientistas conseguem identificar a composição das nuvens e acompanhar como elas se condensam e evaporam conforme circulam pela atmosfera do planeta.
Os novos dados também alteraram o entendimento sobre a composição química de WASP-94A b. Observações anteriores sugeriam concentrações extremamente altas de oxigênio e carbono, centenas de vezes maiores do que as encontradas em Júpiter. Com as medições mais recentes, os pesquisadores concluíram que a concentração desses elementos é apenas cerca de cinco vezes maior.
Após utilizar WASP-94A b como referência, a equipe analisou outros oito gigantes gasosos quentes. Encontraram, desta maneira, padrões climáticos semelhantes em mais dois exoplanetas: WASP-39 b e WASP-17 b. Agora, os pesquisadores pretendem ampliar as observações com novos programas do telescópio James Webb em diferentes tipos de exoplanetas.