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Dieta variada italiana pode existir desde a Idade do Ferro, diz estudo

Análise dentária de fósseis da Idade do Ferro evidencia passado histórico da dieta variada dos italianos de hoje em dia, sugere estudo

Detalhes de dentes analisados em novo estudo / Crédito: Divulgação/PLOS One/Roberto Germano

A análise do estilo de vida de civilizações antigas apresenta desafios significativos, especialmente quando se tem como base apenas fósseis. Neste contexto, os ossos e dentes emergem como fontes cruciais para a compreensão das dietas históricas, revelando padrões alimentares que variam entre os indivíduos.

Em uma iniciativa voltada para elucidar esses hábitos, uma equipe de pesquisadores da Universidade de Roma La Sapienza, na Itália, conduziu um estudo abrangente sobre os restos dentários encontrados no sítio arqueológico de Pontecagnano. O objetivo foi investigar a alimentação predominante na região durante os séculos 7 e 6 a.C.

O trabalho, publicado em 14 de janeiro na revista científica PLOS One, revelou uma dieta rica e diversificada, composta por cereais, leguminosas e vegetais, além da presença de bebidas fermentadas desde o período da Idade do Ferro. Esses achados estão alinhados com os princípios da atual “dieta mediterrânea“.

A pesquisa analisou 30 dentes permanentes — incluindo caninos e molares — de 10 indivíduos enterrados nas necrópoles de Pontecagnano. As metodologias empregadas incluíram cortes histológicos e a análise do tártaro dentário.

Dentes analisados em novo estudo / Crédito: Divulgação/PLOS One/Roberto Germano

De acordo com Roberto Germano, um dos autores do estudo, “conseguimos acompanhar o crescimento e a saúde na infância com notável precisão e identificar vestígios de cereais, leguminosas e alimentos fermentados na idade adulta, revelando como essa comunidade se adaptou aos desafios ambientais e sociais”. Essas informações foram divulgadas em entrevista ao jornal The Independent.

Os pesquisadores encontraram grânulos de amido provenientes de cereais, esporos de leveduras e fibras vegetais no tártaro dentário analisado. Tais descobertas sugerem que a população antiga da Itália tinha o costume de consumir tanto alimentos quanto bebidas fermentadas. A diversidade alimentar observada pode ser atribuída ao aumento do intercâmbio cultural com outras civilizações mediterrâneas.

Estresse entre crianças

Outro aspecto importante identificado nas análises dentárias foi a presença de sinais de estresse em dentes de crianças entre um e quatro anos. Isso pode indicar que este foi um período crítico para a exposição infantil a doenças que comprometeram a saúde dental.

Embora os dados sejam oriundos de um grupo restrito, os pesquisadores acreditam que as informações podem contribuir significativamente para a compreensão dos hábitos alimentares de diversas populações da região e da própria Itália, repercute a Revista Galileu.

“Este estudo aprimora a compreensão das adaptações bioculturais da Idade do Ferro, oferecendo insights sobre os comportamentos de desenvolvimento e alimentares nessa antiga comunidade italiana”, concluem os autores em seu artigo.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.