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Descoberta em Pompeia revela bilhete de amor de 2 mil anos

Arqueólogos identificam inscrições quase invisíveis em muro de corredor que incluem um recado de amor inacabado

Mural amor capa
Mural em Pompeia com a inscrição "Erato Ama" - Parque Arqueológico de Pompeia

Pesquisadores envolvidos em um projeto arqueológico dedicado a recuperar grafites antigos na cidade de Pompeia — soterrada pela erupção do Monte Vesúvio em 79 d.C. — anunciaram a identificação de dezenas de inscrições, com declarações de amor, que estavam praticamente invisíveis há milênios em uma parede do chamado Corredor dos Teatros. Utilizando tecnologia avançada de imagem, a equipe conseguiu decifrar marcas gravadas no gesso que incluem declarações de afeto, insultos e até representações de cenas de gladiadores.

Entre os registros recém-descobertos está o que pode ser considerado um verdadeiro bilhete de amor de cerca de 2 000 anos . A inscrição, atribuída a uma mulher chamada Erato, diz simplesmente “Erato ama…” — a continuação da frase foi perdida com o tempo quando parte do revestimento da parede se deteriorou. Essa simples mensagem ilustra como sentimentos humanos tão antigos quanto a língua latina deixaram marcas duradouras na cidade romana.

Declaração de amor

Os arqueólogos identificaram cerca de 300 inscrições distintas naquela superfície, sendo 79 inéditas para a ciência até agora, graças a métodos como Reflectance Transformation Imaging (RTI). Essa técnica faz uso de múltiplas imagens capturadas sob diferentes ângulos de luz, permitindo revelar frágeis arranhões e entalhes que o olho humano não consegue enxergar sozinho.

As mensagens recuperadas variam bastante em tom e conteúdo. Além de recados afetivos, há textos que parecem insultos ou brincadeiras e esboços de cenas cotidianas, como lutas de gladiadores — possivelmente comentários relacionados a eventos populares da época. Alguns dos grafites mostram até pedidos apressados, como um que diz “Estou com pressa; adeus, minha Sava, assegure-se de que você me ama!”, sugerindo que Pompeianos deixavam essas marcas como forma de expressão pessoal em espaços públicos.

O corredor onde as inscrições foram encontradas é um trecho estreito que conectava áreas da cidade próximas aos principais teatros, usado diariamente por habitantes e visitantes. Por estar soterrado e depois escavado no século XVIII, os arqueólogos sabiam da existência de marcas nessa parede, mas apenas agora, com ferramentas digitais modernas, conseguiram trazer à luz esse rico acervo de grafites.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.