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Como lagartas e formigas se comunicam, segundo novo estudo

Análises recentes apontam que lagartas e formigas possuem uma curiosa forma de comunicação baseada em padrões vibratórios

Lagarta sendo cuidada por formiga - Créditos: Daniel Sanchez

Um estudo desenvolvido por pesquisadores da Inglaterra, Polônia e Itália que foi publicado nesta terça-feira, 24, na revista Anais da Academia de Ciências de Nova York, mostra que a integração das lagartas na colônia de formigas não se baseia apenas em odores químicos, ela também envolve uma comunicação rítmica, baseada em vibrações sincronizadas.

Em diversas espécies de borboletas, a fase larval depende da aceitação por colônia de formigas para sobreviver. Se reconhecidas como aliada no abrigo com as formigas, as lagartas podem receber proteção contra predadores, alimento e abrigo.

Muitas borboletas já iniciam sua vida desenvolvendo estratégias para se aproximar das formigas. Quando estão na fase de lagartas, elas se aproximam e passam a viver próximo de formigueiros, sendo carregadas, defendidas e em alguns casos alimentadas pelas formigas operárias.

Esse tipo de interação já era atribuído a “mimetização química”: as lagartas reproduzem compostos que imitam o cheiro ou os sinais químicos da colônia, explicou a revista Galileu.

A pesquisa indica que, além disso, a interação também envolve sinais físicos. “Essas lagartas estão essencialmente falando a língua das formigas, não apenas quimicamente, mas também pelo ritmo”, explicou a pesquisadora do Departamento de Psicologia da Universidade de Warwick e coautora do estudo, Chiara de Gregrio, em comunicado.

“Ao acompanhar o ritmo das formigas, elas conseguem convencê-las de que pertencem àquele grupo”, completou.

Como acontece

Os pesquisadores registraram sinais vibroacústicos, que são microvibrações que se propagam pelo solo, pelas plantas ou pelas estruturas do formigueiro. No estudo foram utilizadas duas espécies de formigas e nove espécies de lagartas com diferentes graus de dependência.

A borboleta Phengaris teleius e a formiga Myrmica scabrinodis, que são frequentemente relacionadas, foram um dos exemplos utilizados. Após comparar os padrões produzidos por cada organismo, a equipe observou regularidade, organização temporal dos pulsos e duração dos intervalos.

As lagartas mais dependentes das formigas emitem sequências regulares, com alternância estruturada entre intervalos curtos e longos. Já as com vínculos fracos ou inexistentes apresentaram sinais mais simples, revelou o estudo.

A isocronia, caracterizada por pulsos igualmente espaçados e um padrão binário de alternância rítmica foram os traços que se destacaram entre as espécies que possuem mais interação.

A professora da Universidade de Turim, Francesa Barbero, aponta que em um ambiente escuro e lotado de um formigueiro, onde as vibrações constantes são inevitáveis, um ritmo preciso pode ajudar os sinais a se destacarem e serem reconhecidos rapidamente. “Para as lagartas, acertar o ritmo pode ser vital“, finalizou.

O estudo mostra que o ritmo pode ser um princípio mais disseminado na natureza do que se imaginava, atuando como uma ferramenta biológica. Além disso, essa descoberta pode ampliar o debate sobre a origem evolutiva na comunicação animal, visto que, os padrões rítmicos complexos estavam associados a primatas e humanos. “O ritmo é uma parte fundamental na vida humana […] mas descobrir que até formigas e lagartas dependem de sinais rítmicos cuidadosamente sincronizados para se comunicar é muito empolgante”, explica de Gregorio.


  • Sob supervisão de Giovanna Gomes