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Cometa 3I/ATLAS deve passar perto da Terra nesta sexta-feira

O cometa 3I/ATLAS deve realizar sua maior aproximação da Terra nesta sexta-feira, 19, em fenômeno que tem gerado grande entusiasmo entre especialistas

Pesquisadores detectaram um tênue jato de gás e poeira expelido pelo cometa 3I/ATLAS - Crédito: Divulgação/Miquel Serra-Ricart/Light Bridges

O cometa interestelar 3I/ATLAS está prestes a realizar sua maior aproximação da Terra nesta sexta-feira, 19, a uma distância de aproximadamente 270 milhões de quilômetros. Este evento gerou grande entusiasmo entre especialistas, uma vez que representa uma oportunidade singular para observar características de um corpo celeste originado fora do nosso Sistema Solar.

De acordo com informações do portal Space.com, o 3I/ATLAS tem se destacado nas últimas semanas, passando de um objeto enigmático para o foco de descobertas importantes. Com a ajuda do Telescópio Gêmeo de Dois Metros, localizado na Espanha, cientistas conseguiram identificar, pela primeira vez, um fino jato de gás e poeira que oscila lentamente à medida que o cometa gira.

Esse movimento cíclico permitiu aos pesquisadores calcular diretamente o período de rotação do 3I/ATLAS, estimado entre 14 e 17 horas. Este é o primeiro caso documentado de um cometa interestelar em que o giro foi claramente associado a uma atividade visível em sua superfície. Os resultados dessa pesquisa foram publicados recentemente na revista Astronomy & Astrophysics e oferecem novas informações sobre esses raros objetos celestes.

Segundo o portal Galileu, um dos aspectos mais intrigantes para os cientistas foi a similaridade desse fenômeno com comportamentos observados em cometas do Sistema Solar. Apesar de sua formação em torno de outra estrela, o 3I/ATLAS apresenta características semelhantes aos cometas conhecidos, com jatos impulsionados principalmente pela radiação solar. Por essa razão, especialistas o classificam como um “cometa interestelar extraordinariamente normal”.

Desmistificando teorias

A descoberta também ajudou a desmistificar algumas teorias menos convencionais que surgiram desde a detecção do cometa, realizada em julho por um telescópio do sistema ATLAS no Chile. Em uma coletiva de imprensa no final de novembro, a NASA foi enfática ao afastar qualquer sugestão de origem artificial do corpo celeste. “Ele tem a aparência e o comportamento de um cometa, e todas as evidências apontam para que seja um cometa”, afirmou Amit Kshatriya, administrador associado da agência.

No momento da sua aproximação máxima, o 3I/ATLAS estará a cerca do dobro da distância média entre a Terra e o Sol, sem risco de colisão. Essa proximidade oferece uma oportunidade valiosa para estudo detalhado antes que ele continue sua jornada pelo espaço interestelar.

Observadores equipados com binóculos potentes ou pequenos telescópios poderão tentar avistar o cometa antes do amanhecer na direção leste-nordeste, próximo à estrela Regulus na constelação de Leão. Para aqueles que não possuem condições favoráveis para observação, haverá transmissões ao vivo organizadas pelo Virtual Telescope Project, dependendo das condições climáticas.

O cometa 3I/ATLAS viaja através do Sistema Solar a uma velocidade impressionante superior a 200 mil km/h — a maior já registrada para um visitante interestelar. Tal velocidade sugere que ele percorre as vastidões do espaço há bilhões de anos, proporcionando uma visão única do passado remoto da Via Láctea. Após esta passagem próxima à Terra, espera-se que o cometa siga seu curso em direção a outro sistema estelar.

Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.