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Claudette Colvin, pioneira dos direitos civis, morre aos 86 anos

Ícone da luta pela dessegregação, Colvin foi presa aos 15 anos por desafiar o racismo; sua fundação confirmou o falecimento da ativista na terça-feira, 13

Claudette Colvin em 1998 / Créditos: Getty Images

Claudette Colvin, conhecida por ser a pioneira na luta pelos direitos civis nos Estados Unidos, morreu aos 86 anos. O falecimento foi anunciado por sua fundação na terça-feira, 13 de janeiro.

Em comunicado, a instituição a descreveu como uma “mãe, avó e pioneira dos direitos civis amada”. Colvin tinha apenas 15 anos quando desafiou o sistema e se recusou a ceder seu lugar em um ônibus no Alabama para uma mulher branca, sendo presa em razão disso.

O ato antes de Rosa Parks

Mas Claudette não teve reconhecimento imediato. O ato realizado no dia 2 de março de 1955 aconteceu nove meses antes de Rosa Parks realizar a mesma ação, também na cidade de Montgomery.

Parks também foi presa em 1° de dezembro daquele ano por conduta desordeira, o que gerou um grande boicote aos ônibus de Montgomery com duração de 13 meses. O movimento fez com que a Suprema Corte declarasse a segregação nos ônibus um ato inconstitucional.

Embora Colvin tenha sido a pioneira, foi Parks quem se tornou o rosto do movimento por ser uma costureira respeitada e secretária da NAACP local. Durante uma entrevista ao New York Times em 2009, Colvin relatou que sua mãe a aconselhou a não contar o que fazia. De acordo com informações do Daily Mail, a ativista acrescentou que sua mãe pediu para deixar que Rosa fosse a face da luta.

Deixe que seja a Rosa. Os brancos não vão incomodar a Rosa, a pele dela é mais clara que a sua e eles gostam dela”, disse Colvin durante a entrevista, relembrando as palavras de sua mãe.

Sombra e biografia

Claudette só ganhou maior visibilidade em 2009, quando o escritor Philip Hoose escreveu sua biografia, intitulada “Claudette Colvin: Duas Vezes em Direção à Justiça”. Na época do caso, sua história passou quase despercebida.

Durante pesquisas para o livro, Hoose descobriu mais de 100 cartas de apoio escritas para Colvin após sua prisão. Porém, os líderes do movimento pelos direitos civis não achavam que ela seria uma boa escolha para representá-los.

Eles temiam não conseguir vencer com ela”, disse Hoose ao Times em 2009, acrescentando que palavras como “atrevida, emocional e enérgica” eram usadas para descrevê-la.

Ela teve sua fiança paga por um pastor, mas logo depois foi considerada culpada por agressão. Em seus relatos, Colvin disse que, após ser presa, ainda teve que lidar com policiais tentando adivinhar o tamanho do seu sutiã. Ela contou ao biógrafo que, no dia em que se recusou a ceder o lugar, a rebeldia estava em seus pensamentos.

Resistência e legado

Segundo os registros, Colvin negou o assento a uma mulher branca na casa dos 40 anos, após o motorista pedir que ela e outras três garotas negras saíssem para que a mulher ficasse com a fileira só para ela. Colvin foi detida e acusada nos jornais da época de ter batido, arranhado e chutado os policiais. Ela recebeu acusações de agressão, conduta desordeira e violação da lei de segregação.

Claudette Colvin ao lado do prefeito de Montgomery e do advogado Fred Gray, em 2021, durante o processo para limpar sua ficha criminal / Créditos: Getty Images

Claudette teve dois filhos e nunca se casou. Posteriormente, mudou-se para Nova York, onde trabalhou como auxiliar de enfermagem. Em 2021, seus antecedentes criminais foram finalmente apagados. Na ocasião, Colvin afirmou que fez a solicitação para mostrar às gerações mais jovens que o progresso é possível.