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Clássico de Hitchcock vira série vertical com uso de IA

A adaptação do clássico de Hitchcock usou IA, gerando debates; para fãs, o formato vertical prova a perda da capacidade de prestar atenção

Cena de 'O Inquilino' (1927) / Crédito: Reprodução

Nem o terceiro longa-metragem dirigido por Alfred Hitchcock, “O Inquilino”, conseguiu escapar dos novos modelos de vídeos curtos e da utilização de ferramentas de Inteligência Artificial.

Visando seguir as tendências das redes sociais, várias produtoras ao redor do mundo vêm adotando os chamados “microdramas”. O novo modelo consiste em uma série dividida em episódios curtíssimos, exibidos na vertical, seguindo a orientação das telas dos smartphones.

Com isso em mente, na segunda-feira, 26, foi anunciada a confirmação de que o foco não ficará restrito apenas às produções inéditas. Clássicos antigos do cinema, como os de Hitchcock, também passarão por mudanças para se adequar ao novo formato.

Estreia nos EUA

De acordo com informações repercutidas pela revista Monet, essa versão do filme estará disponível apenas nos Estados Unidos, integrando o catálogo do recém-criado aplicativo de séries verticais Tattle TV.

Em nota ao site Deadline, a empresa alega que esse lançamento é um dos primeiros envolvendo um filme clássico totalmente reenquadrado para a exibição vertical em celulares. Apesar de estar no ar nos Estados Unidos, o projeto não pode ser distribuído no Reino Unido, onde a Tattle TV foi criada, por questões de licenciamento.

Polêmica nas redes

Embora a empresa, em nota, enxergue a iniciativa com motivos nobres — como apresentar o cinema icônico a toda uma nova geração de espectadores —, a produção parece não ter agradado aos fãs de um dos principais produtores cinematográficos britânicos.

Nas redes sociais, o tópico rendeu várias discussões. Um dos internautas chegou a comentar: “Se você não consegue se sentar para assistir a um filme de 90 minutos, sinto muito por você”. Além dele, outros usuários também opinaram sobre o tema. Em um dos comentários, foi apontado que transformar Hitchcock em microdrama não seria uma inovação, e sim uma mostra de que, oficialmente, perdemos a capacidade de prestar atenção.

Inteligência Artificial

Além disso, um dos fundadores do aplicativo, Philip McGoldrick, admitiu que fez o uso de ferramentas de IA generativa no processo de alteração da orientação do filme. Em declaração, ele pontuou que a Tattle TV é uma das primeiras a adotar ferramentas de IA de ponta, permitindo assim que o fluxo de trabalho seja agilizado.

Ele reiterou ainda a missão da empresa de produzir mais conteúdos em formato vertical e, assim, permitir que conteúdos clássicos e de arquivo cheguem ao público dos aparelhos móveis.