Cientistas criaram curta-metragens a partir da atividade cerebral de ratos
Cientistas criaram curta-metragens a partir da atividade cerebral de ratos para tentar mostrar como esses roedores enxergam o mundo; confira!

Em um novo estudo, pesquisadores da Sainsbury Wellcome Centre, na University College London, realizaram um feito surpreendente: criaram curtas-metragens a partir da atividade cerebral des ratos. No estudo, os roedores assistiram a vídeos, em um projeto que tem como objetivo desvendar as percepções dos animais sobre o mundo.
As imagens pixelizadas e granuladas oferecem a ideia de como os roedores processavam imagens de pessoas praticando esportes como ginástica, hipismo e até luta livre.
O trabalho com os roedores ainda está em seus estágios iniciais, mas com o avanço da tecnologia, os cientistas pretendem interceptar um conjunto mais amplo de percepções animais e devem buscar novas informações sobre como seus cérebros respondem ao ambiente ao seu redor.
“A vantagem dos humanos é que você pode simplesmente perguntar a alguém: com o que você sonhou? O que você viu? O que você está alucinando?”, disse o Dr. Joel Bauer da University College Lonon.
Um programa de inteligência artificial que venceu uma competição científica recente foi utilizado para prever como a atividade elétrica no córtex visual do cérebro do rato se altera dependendo do que os animais estão vendo. O córtex visual recebe informações brutas da retina e as transforma em uma visão coerente do mundo, segundo o The Guardian.
Para ser possível reconstruir o que os ratos estavam assistindo, os responsáveis pelo estudo usaram um laser infravermelho para registrar como os neurônios disparavam no córtex visual enquanto o animal assistia a vídeos de dez segundos. Após isso, inseriram os dados de vídeos em branco no programa de IA e foram alterando gradualmente as imagens para que a IA previsse os mesmos padrões de atividade cerebral observados nos ratos, mais detalhes desse estudo foram publicados na revista eLife.
Os vídeos reproduzidos podem nunca ser nítidos quanto os originais, visto que, os ratos tem a visão inferior a dos humanos. Apesar disso, Bauer acredita que os cientistas ainda podem tornar essas imagens cerca de sete vezes mais nítidas do que atualmente.
Trabalhos futuros podem reconstruir todo o campo de visão do animal, com base na atividade cerebral desencadeada por informação de cada olho individualmente.
Em seres humanos
Bauer se mostra mais cauteloso em relação a trabalhos semelhantes a esse em seres humanos. Outros grupos de pesquisadores estão desenvolvendo métodos para reconstruir imagens e outras percepções dos seres humanos a partir de exames cerebrais e Bauer acredita que isso iria infringir a privacidade humana.
“Não queremos necessariamente compartilhar tudo o que se passa em nossas mentes”, afirmou.
Já no estudo com os animais, ele acredita que essa abordagem pode fornecer aos cientistas informações inovadoras de como eles sobreviveram ao mundo, oferecendo respostas a o que eles veem em seus sonhos e até se tem alucinações sob o efeito de cogumelos mágicos.
*Sob supervisão de Éric Moreira