Cemitério medieval é encontrado por estudantes na Inglaterra
Vestígios, que parecem datar do século 9, foram encontrados por estudantes no Wandlebury Country Park, a poucos quilômetros de Cambridge

Há vários anos, o departamento de arqueologia da Universidade de Cambridge mantém uma parceria com a Cambridge Past, Present and Future para oferecer a estudantes a oportunidade de participar de escavações em sítios históricos reais. Durante muito tempo, a descoberta mais antiga feita pelos alunos havia sido apenas a tampa de um doce Smarties dos anos 1960. Isso mudou na primavera passada, quando uma escavação revelou uma cova medieval com os restos mortais de dez pessoas.
“Eu nunca tinha encontrado restos humanos em uma escavação, e fiquei impressionada com o quão próximas e ao mesmo tempo distantes essas pessoas estavam”, afirmou a estudante Olivia Courtney em comunicado da universidade.
Os vestígios, que parecem datar do século 9, foram encontrados no Wandlebury Country Park, a poucos quilômetros ao sudeste de Cambridge. Há cerca de 1.200 anos, a região foi palco de confrontos entre o reino de East Anglia, então sob domínio viking, e o reino de Mércia.
Esqueletos encontrados
Entre os achados estão quatro esqueletos completos e outros restos desmembrados. Os pesquisadores ainda não sabem se o fosso era uma vala comum aberta após uma batalha ou um local de execução. Para o arqueólogo Oscar Aldred, que liderou a escavação, os indícios apontam para episódios de extrema violência. Em entrevista à jornalista Issy Ronald, da CNN, ele afirmou: “Há uma violência interpessoal terrível acontecendo aqui, independentemente da interpretação.”
Segundo informações do portal Smithsonian, um dos esqueletos foi encontrado de bruços, posição considerada um sinal de desrespeito na época. Outros corpos estavam dispostos de maneira que sugere que foram amarrados antes do sepultamento. Um deles apresenta marcas de corte na mandíbula e na primeira vértebra, indicando possível decapitação. Segundo a universidade, todos parecem ter sido homens jovens descartados no poço sem cuidado.
Além dos quatro esqueletos completos, a cova continha seis crânios sem os respectivos corpos e uma pilha incomum de ossos das pernas. A ausência das mandíbulas inferiores nesses crânios indica que pertenciam a pessoas mortas anteriormente, o que levanta dúvidas sobre por que todos foram reunidos no mesmo local. Uma hipótese é que os crânios tenham sido exibidos antes do enterro ou que fossem restos espalhados após um confronto.
Jovem com tumor
Um dos indivíduos chamou atenção especial: um jovem entre 17 e 24 anos que media cerca de 1,96 metro, uma altura muito acima da média masculina da época. Segundo Trish Biers, ele pode ter sofrido de um tumor na glândula pituitária, responsável por um excesso de hormônio do crescimento.
Esse possível tumor também pode explicar outra descoberta intrigante: um orifício de aproximadamente 2,5 centímetros perfurado em seu crânio enquanto ainda estava vivo. A lesão apresentava sinais de cicatrização e, de acordo com a paleopatologista Alice Roberts, no programa Digging for Britain, não foi resultado de violência, mas de um procedimento cirúrgico.
A perfuração pode ser evidência de trepanação, prática antiga que consistia em abrir um orifício no crânio para aliviar pressão ou tratar problemas neurológicos. A suspeita é que o jovem tenha sido submetido ao procedimento para amenizar dores de cabeça associadas ao tumor.
O parque foi escolhido como campo de escavação por abrigar um forte da Idade do Ferro conhecido como Wandlebury Ring, construído mais de mil anos antes do fosso funerário recém-descoberto. Inicialmente, o objetivo era aprofundar as pesquisas sobre o castro, há muito considerado um marco histórico local.