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Caverna revela restos humanos mais antigos do norte britânico

Escavação na caverna de Heaning Wood revelou ossada de criança e artefatos que comprovam o retorno humano à região há 11 mil anos

Vista da câmara principal da Caverna Óssea de Heaning Wood, em Cumbria, onde foram encontrados os restos do sepultamento mais antigo do norte da Grã-Bretanha / Créditos: Martin Stables / Warburton et al., Proceedings of the Prehistoric Society

Durante trabalhos arqueológicos na Caverna Óssea de Heaning Wood, próximo a Great Urswick, em Cumbria, no norte da Grã-Bretanha, foram revelados os restos humanos mais antigos já encontrados na região.

Os ossos seriam de uma jovem que viveu há mais de 11.000 anos. Datações por radiocarbono indicaram que seu sepultamento ocorreu entre 9290 e 8925 a.C. — período que marca o retorno dos habitantes ao norte da Grã-Bretanha logo após a última Era Glacial.

O projeto de escavação na caverna ocorre desde 2016, sob comando de Martin Stables, arqueólogo local. Os achados revelaram diversos ossos humanos que datavam de períodos distintos.

Identidade revelada

De acordo com informações da revista Archaeology News, uma equipe internacional de pesquisa liderada pela University of Central Lancashire conseguiu extrair DNA antigo dos restos mortais mais velhos.

Os resultados revelaram que a ossada pertenceu a uma criança do sexo feminino, com idade estimada entre 2,5 e 3,5 anos. Com isso, os pesquisadores apelidaram os restos de “Menina de Ossick”, em referência a um termo regional de Cumbria usado para designar uma menina de Urswick.

Ocupação milenar

Historicamente, sepultamentos pré-históricos mais antigos costumam ser encontrados no sul da Inglaterra e no País de Gales. Áreas como Cumbria, localizadas mais ao norte, apresentam menos vestígios devido ao impacto das geleiras, que danificaram parte significativa dos registros regionais.

Antes da descoberta em Heaning Wood, o sepultamento mais antigo conhecido no norte da Grã-Bretanha datava de cerca de 10 mil anos e havia sido identificado na Caverna Bank.

Dessa forma, as novas análises ampliam a evidência da presença humana no extremo norte britânico logo após o recuo das camadas de gelo. Exames indicam ainda que a caverna foi utilizada como local de sepultamento em pelo menos três fases distintas ao longo de milhares de anos.

Ao todo, ao menos oito indivíduos foram enterrados no espaço, incluindo sepultamentos do Mesolítico, do Neolítico inicial e da Idade do Bronze. A maioria dos indivíduos analisados geneticamente era do sexo feminino.

Artefatos e contexto

Além disso, artefatos encontrados no local, como contas perfuradas feitas de conchas e um dente de veado trabalhado, foram datados do mesmo período da criança mesolítica. Ferramentas de pedra e fragmentos cerâmicos associados a fases posteriores também reforçam a ocupação prolongada da caverna.

O estudo foi publicado no Proceedings of the Prehistoric Society. A descoberta coloca a Caverna Óssea de Heaning Wood entre os principais sítios funerários pré-históricos da Grã-Bretanha e oferece novas evidências sobre as primeiras populações que retornaram à região após a última glaciação.


  • Sob supervisão de Giovanna Gomes