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Cavalos podem sentir o medo dos humanos, revela estudo

Novo estudo aponta que os cavalos podem ficar mais cautelosos com pessoas assustadas, e sentir o cheiro do medo dos humanos; entenda!

Fotografia de um cavalo / Crédito: Getty Images

Um estudo recente publicado na revista PLOS One revela que os cavalos têm a capacidade de perceber o medo humano por meio do olfato, o que os torna mais cautelosos e propensos a se assustar na presença de pessoas que demonstram medo.

Os pesquisadores realizaram uma série de experimentos em que coletaram amostras de odores das axilas de participantes humanos enquanto assistiam a vídeos com conteúdos emocionais distintos. O comportamento dos cavalos foi então analisado quando expostos a essas amostras odoríferas, durante testes padronizados.

A autora principal do estudo, Plotine Jardat, do Instituto Francês do Cavalo e da Equitação (IFCE), destacou que, apesar de estudos anteriores já terem mostrado que os equinos conseguem ler emoções humanas através da comunicação verbal e das expressões faciais, a detecção do medo pelo olfato era uma hipótese que carecia de investigação mais profunda.

Jardat explicou à CNN que a dificuldade em estudar o olfato humano contribuiu para essa lacuna no conhecimento: “como seres humanos, não temos muita consciência de todos os cheiros que nos rodeiam, em comparação com o que outros animais aparentemente percebem, por isso não é tão fácil estudar isso”.

Experimentos

Para superar essa limitação, os pesquisadores desenvolveram um método inovador utilizando discos de algodão colocados nas axilas dos voluntários. Esses discos liberavam compostos odoríferos oriundos das glândulas sudoríparas. As amostras foram obtidas enquanto os participantes assistiam a vídeos que provocavam emoções opostas: um vídeo assustador, um alegre e um neutro. Em seguida, esses discos foram apresentados a 43 éguas diferentes, fixados nas narinas dos animais com pequenas redes para evitar contaminação.

Os testes realizados incluíram situações em que os cavalos eram expostos a estímulos como a abertura súbita de um guarda-chuva ou a aproximação de um humano em seu espaço. Durante esses experimentos, foram monitoradas tanto as reações comportamentais quanto parâmetros fisiológicos como frequência cardíaca e níveis de cortisol na saliva dos animais, um importante indicador de estresse.

Os resultados mostraram uma clara influência dos odores humanos no comportamento e na fisiologia dos cavalos. Os equinos expostos aos compostos associados ao medo mostraram-se mais propensos a se assustar e menos inclinados a se aproximar ou investigar novos objetos.

“Os odores desagradáveis ​​provenientes dos humanos amplificam as reações dos cavalos”, afirmou Jardat. “O importante é que os cavalos conseguem sentir pelo cheiro como nos sentimos, mesmo que não consigam nos ouvir ou ver”.

A coautora Léa Lansade, diretora de pesquisa no Instituto Nacional de Pesquisa Agrícola, Alimentar e Ambiental da França (INRAE), enfatizou que o estudo fornece evidências sobre o “contágio emocional” entre espécies. Esse achado possui implicações práticas significativas para cavaleiros e tratadores de cavalos, incluindo “reconhecer a importância do estado emocional dos tratadores e sua potencial transmissão por meio de sinais químicos durante as interações entre humanos e cavalos”, segundo o artigo.

Embora não seja possível controlar os odores emocionais que emitimos naturalmente, Lansade sugere que é fundamental para os cavaleiros “se concentrar em relaxar, para que possam cavalgar com calma e sem medo”, comentou.

Próximos passos

No futuro, os pesquisadores planejam explorar se os seres humanos também conseguem detectar compostos odoríferos produzidos pelos cavalos em resposta a diversas emoções. Além disso, haverá investigações sobre se essa comunicação química é exclusiva para o medo ou se abrange outras emoções também.

Jardat comentou que “começamos com o medo porque essa é uma emoção que realmente esperamos que outros animais também experimentem, pois o medo permite detectar o perigo e evitá-lo”. Ela acrescentou que futuras pesquisas considerarão outras emoções como tristeza e nojo, sublinhando que mesmo sem sentir essas emoções da mesma forma que os humanos, os cavalos podem perceber variações olfativas relacionadas às emoções humanas.

“Mesmo que eles [os cavalos] não sintam essas emoções precisamente, eles podem perceber diferenças no olfato em relação aos humanos que sentem essas emoções, e isso pode significar algo para eles”, acrescenta.

A especialista em Medicina Comportamental Veterinária (Equina), Gemma Pearson, opinou: “este é um bom estudo que se baseia em trabalhos anteriores deste grupo e apresenta um padrão típico de evidências para pesquisas sobre comportamento equino. Este grupo teve o cuidado de controlar variáveis ​​de confusão neste estudo que poderiam levar a um resultado incorreto”.

Ela ressaltou que os cavalos utilizam uma combinação de sentidos para avaliar ameaças em seu ambiente: “Os cavalos são animais de presa, então faz todo o sentido que eles usem qualquer informação no ambiente para alertá-los sobre possíveis ameaças. É importante lembrar que os cavalos não se baseiam no ‘cheiro’ do medo dos humanos, mas, no mundo real, usam todos os seus sentidos para tomar decisões sobre o nível de ameaça”.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.