Caso Epstein: novos arquivos colocam Bill Clinton sob holofotes
Novos arquivos detalham fotos inéditas e registro de 16 voos do ex-presidente no jato de Jeffrey Epstein; o casal Clinton enfrenta votação na Câmara

Na semana passada, a Justiça dos Estados Unidos divulgou mais de 3 milhões de documentos referentes ao caso do empresário Jeffrey Epstein. Nesta nova e volumosa leva de arquivos, o nome do ex-presidente Bill Clinton ganha destaque, especialmente em registros posteriores ao fim de seu mandato na Casa Branca.
A divulgação desses documentos ocorre em um momento crítico para o casal Bill e Hillary Clinton. Ambos enfrentam uma votação na Câmara dos Representantes, que decidirá se serão condenados por desacato ao Congresso. A acusação surgiu após o casal rejeitar uma intimação para depor em uma investigação bipartidária sobre o caso Epstein.
Ligação com Epstein
De acordo com informações repercutidas pelo jornal O Globo, entre as mais de 3 milhões de páginas divulgadas, surgiram novas fotos de Bill Clinton ao lado de Jeffrey Epstein. Um dos arquivos contém a imagem do ex-presidente sem camisa em uma banheira de hidromassagem, acompanhado de uma pessoa que aparece censurada na foto.
Segundo informações da rede CNN, um funcionário do Departamento de Justiça teria revelado que a pessoa em questão seria uma das vítimas de abuso sexual de Epstein.
Além das diversas imagens, foram encontradas trocas de e-mails, entre 2001 e 2004, envolvendo membros da equipe de Clinton e Ghislaine Maxwell, ex-parceira de Epstein que atualmente cumpre pena por tráfico sexual. O ponto mais relevante é que essas mensagens coincidem com o período em que Clinton realizou diversas viagens no avião particular de Epstein. Ainda segundo apurações da CNN, o ex-presidente teria utilizado a aeronave ao menos 16 vezes.
Mensagens cifradas
Nos e-mails interceptados, os funcionários da equipe de Clinton aparecem ocultados sob a sigla “WJC”, uma referência ao escritório de William J. Clinton após a Presidência.
Embora as mensagens tratem majoritariamente de logística, como jantares e convites para o ex-presidente, algumas comunicações de Maxwell adotavam um tom pessoal e insinuante. Em um dos registros, ela chega a comentar com um assessor sobre a aparência física de Clinton e o interesse que nutria por ele.
Defesa e o risco jurídico
Apesar do teor das mensagens, não há evidências diretas de que Bill Clinton tenha trocado e-mails pessoalmente com Maxwell. O porta-voz do ex-presidente, Angel Ureña, negou qualquer autoria de Clinton nas mensagens, reforçando que ele “nunca possuiu ou compartilhou um dispositivo, ou conta de e-mail” e que só utilizou o meio digital duas vezes em toda a sua vida, ambas durante o período em que ocupava a Casa Branca.
Os documentos, no entanto, reforçam que Ghislaine Maxwell continuou frequentando círculos próximos ao ex-presidente mesmo anos após as primeiras acusações públicas de abuso contra ela surgirem, em 2009. Agora, o Congresso americano avalia se a recusa do casal Clinton em prestar esclarecimentos oficiais resultará em punições criminais por desacato.