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Caso Epstein: mulher afirma ter sido abusada sexualmente por Trump quando era adolescente

Novos documentos do FBI revelam registros de entrevistas com uma mulher que afirmou ter sido violentada por Trump depois de ser apresentada a ele por Jeffrey Epstein

Jeffrey Epstein e Donald Trump em 1997 / Crédito: Getty Images

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgou nesta quinta-feira, 5, novos documentos do FBI contendo registros de entrevistas com uma mulher que afirmou ter sido violentada pelo presidente Donald Trump após ser apresentada a ele pelo financista Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais.

De acordo com o próprio Departamento de Justiça, os documentos não haviam sido incluídos nas divulgações anteriores de materiais ligados a Epstein — realizadas por determinação do Congresso norte-americano — porque haviam sido classificados equivocadamente como “duplicados”.

A maneira como o governo Trump tem conduzido a divulgação dos arquivos relacionados ao caso Epstein vem sendo acompanhada de perto por parlamentares do Partido Democrata.

Entre os materiais tornados públicos estão descrições de várias entrevistas conduzidas pelo FBI em 2019 com a mulher, que afirmou ter sido abusada sexualmente tanto por Epstein quanto por Trump quando tinha entre 13 e 15 anos de idade. Epstein vem sendo apontado como líder de um esquema de tráfico humano, exploração sexual e pedofilia envolvendo meninas menores de idade.

Em uma das entrevistas, a mulher relatou que Epstein a levou “a Nova York ou a Nova Jersey” e que, durante essa viagem, a apresentou a Trump. Segundo seu depoimento aos investigadores, ela teria mordido o político quando ele tentou obrigá-la a praticar sexo oral.

Ameaças

A mulher também declarou que ela e pessoas próximas receberam, durante anos, telefonemas ameaçadores exigindo que permanecessem em silêncio. Segundo seu relato, essas intimidações estariam relacionadas ao caso envolvendo Epstein.

Trump nega qualquer conduta imprópria associada às acusações ligadas ao financista. Em manifestações anteriores, o Departamento de Justiça já havia afirmado que alguns documentos divulgados no conjunto de materiais “contêm acusações falsas e sensacionalistas contra o presidente Trump”.

Parlamentares democratas, por sua vez, acusam o governo de tentar ocultar informações da investigação sobre Epstein que poderiam comprometer politicamente o líder republicano. Na quarta-feira, um comitê da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou a convocação da procuradora-geral Pam Bondi para prestar esclarecimentos sobre a forma como o Departamento de Justiça está administrando esses documentos.

Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.