Caso Epstein: administradores do espólio depõem em uma nova investigação
Acusados de facilitar crimes, Richard Kahn e Darren Indyke, gestores do espólio de Jeffrey Epstein, prestam depoimento ao Congresso dos EUA

O contador Richard Kahn e o advogado Darren Indyke, atuais administradores do milionário espólio do falecido Jeffrey Epstein, estão no centro de uma nova investigação conduzida pelo Congresso dos Estados Unidos.
Por conta disso, ambos foram intimados a prestar depoimento para detalhar o controle que exercem sobre o dinheiro e os arquivos confidenciais do ex-financista. Inicialmente, o comitê ouviu Kahn na última quarta-feira, 11, enquanto Indyke tem o seu testemunho marcado para o dia 19 de março.
Suspeitas de cumplicidade
Embora nunca tenham sofrido acusações criminais diretas, documentos judiciais recentes analisados pela BBC sugerem que a dupla teria facilitado ativamente os crimes de Epstein.
Segundo os autos de diversos processos, Kahn e Indyke gerenciavam cerca de 140 contas bancárias e atuavam na liderança de empresas de fachada. A suspeita é de que com isso, eles teriam viabilizado saques em dinheiro e pagamentos milionários direcionados a vítimas e às recrutadoras da rede de tráfico sexual.
Além disso, uma ação movida nas Ilhas Virgens Americanas aponta que os dois estruturaram casamentos arranjados para o esquema. O principal objetivo dessa manobra legal era garantir vistos e a permanência de mulheres estrangeiras nos Estados Unidos sob extrema coerção.
Em contrapartida, as defesas dos administradores negam categoricamente qualquer participação nessas irregularidades. De acordo com informações repercutida pelo G1, os advogados de defesa, Daniel Weiner e Dan Ruzumna, afirmam que seus clientes prestavam apenas serviços corporativos rotineiros, sem qualquer ciência dos abusos cometidos pelo patrão.
Gestão do patrimônio e indenizações
Atualmente, Kahn e Indyke detêm o controle absoluto sobre o império financeiro deixado por Epstein, cujo valor é estimado em mais de US$ 635 milhões. Por causa dessa posição privilegiada, a dupla já aprovou o pagamento de aproximadamente US$ 169 milhões a dezenas de sobreviventes por meio de um fundo de compensação.
Contudo, investigações paralelas alegam que os executores também protegeram os próprios interesses, garantindo honorários milionários para si mesmos e liberando verbas para cobrir custos legais de eventuais co-conspiradores.
Apesar de a ex-socialite Ghislaine Maxwell ser historicamente apontada como a parceira central do esquema, as atenções agora se voltam para a gestão financeira. Para parlamentares americanos, como Suhas Subramanyam, os dois administradores representam a melhor chance de rastrear o fluxo de capitais ilícitos.
Portanto, o comparecimento da dupla perante as autoridades representa um passo crucial para as vítimas que ainda exigem transparência e justiça total.
*Sob supervisão de Éric Moreira