Buraco negro expele restos de estrela anos após destruí-la
Em revisão no The Astrophysical Journal, comunicado detalha como buraco negro gerou jato mais potente que a Estrela da Morte; entenda

Nesta quinta-feira, 5, um comunicado divulgado por pesquisadores revelou novos dados sobre um buraco negro supermassivo que está expelindo material de uma estrela. As informações baseiam-se em um estudo que está em fase de revisão para publicação científica e detalham o destino do corpo celeste, despedaçado há quatro anos pelo objeto.
O evento é classificado como uma ruptura de maré. Durante esse processo, o gás da estrela forma um disco de acreção (uma espécie de anel giratório de matéria) ao redor do buraco negro. Isso libera grandes quantidades de energia, tornando o fenômeno visível em diferentes comprimentos de onda.
De acordo com informações da CNN Brasil, parte dos restos da estrela foi acelerada e expelida em forma de ventos e jatos. É importante notar que, embora nada escape do interior de um buraco negro, essa expulsão ocorre antes mesmo de o material cruzar o chamado horizonte de eventos.
Energia crescente
As projeções indicam que o jato expelido tem potencial para se tornar um dos fenômenos mais brilhantes e energéticos já vistos no cosmos. O volume de ondas de rádio emitidas segue crescendo rapidamente e os dados sugerem que o pico dessa atividade ocorrerá por volta de 2027.
Líder do estudo e astrofísica da Universidade de Oregon, Yvette Cendes destacou a raridade do caso. Segundo ela, é muito incomum ver um evento crescer nessas proporções por tanto tempo.
Embora astrônomos já tenham registrado casos semelhantes no passado, este evento possui uma característica inédita, a liberação de energia continua aumentando, mesmo anos após a destruição da estrela.
Curiosidades cósmicas
Para se ter uma ideia da potência, ao comparar os dados atuais, os pesquisadores notaram que a energia do jato se equipara à de explosões de raios gama, consideradas os fenômenos mais poderosos do cosmos. Os cálculos revelam que o buraco negro estaria emitindo, no mínimo, um trilhão de vezes mais energia do que a famosa Estrela da Morte, da saga Star Wars.
O objeto recebeu a nomenclatura oficial de AT2018hyz. No entanto, a astrofísica Yvette Cendes prefere o apelido “Jetty McJetface”. O nome é uma referência bem-humorada ao ‘Boaty McBoatface’, um navio de pesquisa britânico que virou meme na internet após uma votação popular.
- Sob supervisão de Giovanna Gomes