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Buraco na camada de ozônio poderia ter sido detectada 30 anos antes

Pesquisa do MIT indica que os primeiros sinais da perda de ozônio já seriam perceptíveis no fim da década de 1950

Fotografia da Terra tirada pelos astronautas da missão Artemis II / Crédito: Divulgação/NASA

A descoberta do buraco na camada de ozônio sobre a Antártica, anunciada em 1985, tornou-se um dos principais marcos da história da ciência ambiental. No entanto, um novo estudo aponta que os primeiros indícios da degradação provocada por atividades humanas poderiam ter sido identificados quase três décadas antes, caso os cientistas da época dispusessem das ferramentas de monitoramento atualmente disponíveis.

A pesquisa foi conduzida por cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e publicada em 12 de maio deste ano na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS). O trabalho parte da hipótese de que a tecnologia moderna de observação atmosférica estivesse disponível ainda na década de 1950. A partir desse cenário, os pesquisadores concluíram que a atmosfera terrestre já continha concentrações suficientes de poluentes para que os primeiros sinais de destruição da camada de ozônio fossem detectados no final daquele período.

Para reconstruir as condições atmosféricas do passado, a equipe liderada pela química atmosférica Susan Solomon utilizou 16 simulações climáticas. Os modelos computacionais permitiram separar as variações naturais da atmosfera dos efeitos provocados pela emissão de substâncias produzidas pelo ser humano. Com isso, os pesquisadores buscaram determinar em que momento a influência das atividades humanas se tornou intensa o bastante para ser distinguida das oscilações naturais do sistema climático.

A perda da camada de Ozônio

Os resultados indicam que o primeiro sinal detectável da perda de ozônio teria surgido na alta estratosfera sobre a região dos trópicos. Segundo os autores, essa área apresenta menor variabilidade natural, característica que facilita a identificação de alterações provocadas por poluentes lançados na atmosfera.

O estudo também aponta qual teria sido o principal responsável pelos primeiros impactos. De acordo com a análise, a degradação inicial da camada de ozônio provavelmente esteve associada ao tetracloreto de carbono, composto químico empregado desde a década de 1930 como solvente industrial e em processos de limpeza a seco.

Os pesquisadores explicam que a concentração dessa substância já vinha aumentando na atmosfera em meados da década de 1940. Ao atingir as camadas superiores da atmosfera, o tetracloreto de carbono libera átomos de cloro, que reagem com o ozônio e promovem sua destruição.

Apesar dessa constatação, os autores ressaltam que o estudo não altera o entendimento científico sobre a origem do buraco na camada de ozônio observado sobre a Antártica. Os clorofluorcarbonetos (CFCs) continuam sendo reconhecidos como os principais responsáveis pelo fenômeno identificado em 1985, devido ao seu papel predominante na intensificação da destruição do ozônio estratosférico.

Na avaliação da equipe, os resultados demonstram que a influência humana sobre a camada de ozônio começou a se manifestar muito antes do que se acreditava. A ausência de instrumentos capazes de detectar essas alterações, entretanto, fez com que os primeiros sinais permanecessem invisíveis para a comunidade científica da época.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.