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De onde vêm os Manuscritos do Mar Morto? Novo estudo usa IA e química

Análise de química e inteligência artificial rastreia a origem dos pergaminhos milenares para revelar quem escreveu os textos bíblicos mais antigos

Fragmento de um manuscrito dos Salmos com cerca de 2 mil anos, integrante da coleção dos Manuscritos do Mar Morto. Foto: Yoli Schwartz/Autoridade de Antiguidades de Israel.

Um esforço internacional sem precedentes busca solucionar um dos enigmas mais persistentes da arqueologia bíblica: a localização exata onde os Manuscritos do Mar Morto foram redigidos e copiados há cerca de dois milênios. De acordo com informações da Archaeology News Online Magazine, o projeto intitulado Rastreando Escribas e Pergaminhos recebeu um investimento de 2,5 milhões de euros do Conselho Europeu de Investigação para realizar esse mapeamento histórico ao longo dos próximos cinco anos.

Mistério de milênios

Os Manuscritos do Mar Morto representam as cópias mais antigas conhecidas de textos da Bíblia Hebraica e outros documentos judaicos essenciais. No entanto, sua origem geográfica permanece incerta entre os especialistas. 

Enquanto alguns pesquisadores defendem que os textos foram produzidos por uma comunidade isolada em Qumran, outros sugerem que os pergaminhos vieram de diversos centros de escrita, como Jerusalém, antes de serem ocultados em cavernas para proteção em tempos de perigo. Conforme o pesquisador Mladen Popović, professor da Universidade de Groningen e líder do estudo, a inteligência artificial permite agora investigar questões que eram extremamente difíceis de responder no passado.

+++ Como a IA vem ajudando pesquisadores a decifrar textos antigos

Tecnologia contra o tempo

Para desvendar essas rotas de produção, a equipe analisará quimicamente cerca de 250 amostras de pergaminho, papiro e tinta. A ideia central é comparar a composição desses materiais com amostras de locais como o Egito e outros sítios do Deserto da Judeia para identificar a procedência exata das matérias-primas. 

As cavernas de Qumran, no deserto da Judeia, estão entre os principais sítios onde os Manuscritos do Mar Morto foram encontrados. Foto: Shai Halevi/Autoridade de Antiguidades de Israel.

Nesse cenário, a inteligência artificial desempenha um papel fundamental ao processar grandes volumes de dados químicos para detectar padrões que escapam aos métodos tradicionais. O sistema cruzará informações sobre caligrafia, o layout das páginas e até as técnicas de costura dos pergaminhos para reconstruir o contexto em que foram criados.

Mapeamento de fragmentos

O objetivo final da pesquisa é criar o primeiro modelo em larga escala capaz de situar mais de 25.000 fragmentos de manuscritos em seus contextos geográficos e históricos. De acordo com Mladen Popović, o projeto amplia o foco da simples identificação de quem escreveu para a localização dos locais onde esses escribas trabalhavam e como o conhecimento circulava na sociedade judaica antiga. 

Cerca de 25 mil fragmentos dos Manuscritos do Mar Morto são preservados pela Unidade de Pergaminhos do Deserto da Judeia da Autoridade de Antiguidades de Israel, em Jerusalém. Foto: Shai Halevi/Autoridade de Antiguidades de Israel.

O estudo conta com uma rede internacional de especialistas de universidades como as de Pisa, Nápoles e do Sul da Dinamarca, além da Autoridade de Antiguidades de Israel, unindo ciência moderna e história para iluminar as origens desses tesouros da humanidade.


*Sob supervisão de Éric Moreira

Meu propósito é dar voz a narrativas.