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Brasileiros descobrem fungos em lagarta capaz de degradar o isopor

Pesquisadores da UFSCar e da UNESP descobrem que fungos do intestino de uma das maiores pragas das lavouras são capazes de degradar o isopor

Fotografias em laboratório das larvas e os fungos a degradar o isopor
Fotografias em laboratório das larvas e os fungos a degradar o isopor - Créditos: Divulgação/Gabrieli Seiscentos Cardenas et al

Há décadas que as Helicoverpa armigera vêm dando dor de cabeça para os donos das lavouras. Conhecida como uma das maiores pragas das plantações de milho, soja e algodão, o pequeno inseto pode ser a origem de um remédio para o acúmulo de isopor.

O besouro em questão é altamente resistente e pode sobreviver dias se alimentando apenas de isopor. Por isso, pesquisadores passaram a investigar sua flora intestinal para compreender como as larvas dessa espécie fazem isso.

Os pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e da Universidade do Estado de São Paulo (UNESP) em seu artigo publicado na revista BMC Microbiologia, apresentaram uma investigação da microbiota intestinal das larvas deste besouro tão temido. Surpreendentemente, não apenas um mas 4 tipos de fungos podem degradar o isopor.

Os fungos capazes de degradar o isopor

Devido uma concentração de estudos nas bactérias intestinais, os pesquisadores optaram por fazer diferente e investigar os fungos. Assim, os pesquisadores conseguiram isolar e identificar 4 fungos presentes nos intestinos das lagartas Helicoverpa armigera e demonstraram, por microscopia eletrônica de varredura, o potencial de cada um para degradar o isopor.

De acordo com Flavio Henrique Silva, biólogo, professor do Departamento de Genética e Evolução da UFSCar, e autor correspondente do artigo, em entrevista à revista Phys, diz:

Os estudos publicados pelo nosso grupo são provavelmente os primeiros no Brasil sobre fungos da microbiota intestinal de insetos envolvidos na degradação do poliestireno”.

Nesse sentido, para a investigação, dividiram os insetos em 3 grupos: um alimentado apenas com isopor; um outro com uma dieta mista de até 50% de isopor e um terceiro que continha uma dieta tradicional aos insetos.

Assim, os brasileiros descobriram, ao analisar a microbiota via metabarcodificação, que a dieta condicionada aos insetos desempenha um papel decisivo na composição fúngica das lagartas. Pois nos grupos que consumiram maiores quantidades de isopor, havia uma maior diversidade de quantidade de fungos capazes de degradar o isopor.

Inclusive, nessa análise, os pesquisadores encontraram exemplares de quatro fungos de tal proeza, os Aspergillus sp., os Talaromyces sp. e duas espécies de Penicillium. De maneira que ao isolar esses fungos e depositarem eles em um meio de poliestireno ultra fino por 60 dias, eles conseguiram crescer. Flavio Silva explica:

Se o fungo foi capaz de crescer nesse filme, é porque ele usou o filme como uma fonte de carbono—ou seja, uma fonte de alimento. Dois deles são mais eficientes, enquanto os outros dois fazem mudanças mais sutis nos filmes”.

Por enquanto, a equipe está investigando as fezes do animal para entender se há uma digestão e transformação do polímero em outro material ou se as larvas do besouro apenas de degradar o isopor e o transforma em micro ou nano plástico.


*Sob supervisão de Felipe Sales Gomes

Historiador em formação que troca qualquer "sextou" por fofocas de época e análise econômica. Traduzo o mundo via cultura, provando que o passado é o melhor spoiler do presente. Quer entender como a engrenagem realmente gira? O convite para a viagem está nos meus artigos: