Boris Johnson tentou se encontrar com Elizabeth II enquanto estava com Covid-19
Livro de Valentine Low, ex-correspondente real, expõe bastidores da monarquia britânica e segredos guardados a portas fechadas entre a família real e o governo

O livro “Power and The Palace”, do jornalista Valentine Low, ex-correspondente real do The Times, promete abalar as estruturas da monarquia britânica ao revelar segredos guardados a portas fechadas entre a família real e o governo.
Com lançamento marcado para o dia 11 de setembro, a obra já gera repercussão com trechos divulgados antecipadamente pelo próprio jornal, trazendo à tona episódios inéditos e controversos envolvendo membros da realeza.
Entre as revelações mais impactantes está o relato de que a Rainha Elizabeth II se opôs ao Brexit, contradizendo a imagem pública de neutralidade política que sempre cultivou. Segundo Low, durante uma conversa privada com um ministro, a monarca teria dito: “Não deveríamos deixar a UE” e completado com a frase:
É melhor ficar com o diabo que você conhece”.
O autor argumenta que, se tivesse votado, Elizabeth teria optado por permanecer na União Europeia, vendo o bloco como parte do esforço de estabilidade e cooperação do pós-guerra.
A obra também traz à tona um episódio pessoal e chocante vivido pela atual rainha consorte Camilla, quando ainda era adolescente. De acordo com um relato feito por ela ao ex-primeiro-ministro Boris Johnson — e reproduzido por seu ex-diretor de comunicações, Guto Harri — Camilla foi vítima de uma agressão sexual em um trem quando tinha cerca de 16 ou 17 anos. Ela reagiu de forma imediata e corajosa, golpeando o agressor com o salto do sapato e, ao chegar à estação de Paddington, denunciou o homem à polícia, que acabou preso.
Mais revelações
Além disso, o livro levanta questões sobre a tensão entre Elizabeth II e seu filho, o então príncipe Charles (hoje rei Charles III), em relação ao ativismo político. A rainha, segundo fontes do palácio, não aprovava a postura militante do filho em temas como mudanças climáticas e via suas cartas aos ministros como uma quebra da necessária neutralidade real.
Assim que você se envolve em política, você escolhe um lado – e perde parte do povo”, teria sido seu posicionamento.
Outras revelações incluem a descrição da falecida rainha como uma figura politicamente franca nos bastidores, algo confirmado pelo ex-ministro George Osborne: “Ela era muito direta ao dizer o que pensava sobre os indivíduos, inclusive da própria família, e sobre os rumos do país”.
Em outro episódio polêmico, o livro relata que Boris Johnson tentou se encontrar com Elizabeth II nos estágios iniciais de sua infecção por Covid-19, o que gerou reação indignada de seus assessores. Um deles, Dominic Cummings, teria exclamado: “Você vai matar a rainha, p*\*\*a. Você está louco?”.
Segundo o ‘Independent’, o Palácio de Buckingham não quis comentar as alegações. Ainda assim, “Power and The Palace” promete ser uma das obras mais provocativas sobre a relação entre a monarquia e o poder político moderno no Reino Unido, revelando os limites — nem sempre respeitados — da neutralidade institucional da Coroa.
*Sob supervisão de Fabio Previdelli