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Astronautas chineses retornam à Terra após seis meses em órbita

Três astronautas da missão Shenzhou‑20 regressaram ao solo nesta sexta-feira, depois de atraso provocado por danos na cápsula de retorno

Astronautas chineses das missões Shenzhou-20 e 21 / Crédito: Reprodução/vídeo/YouTube/China Central Television

Três astronautas chineses da missão Shenzhou-20 regrediram à Terra nesta sexta-feira, 14, após passarem seis meses a bordo da estação espacial Tiangong — e enfrentarem um imprevisto que adiou o retorno.

A tripulação, composta por Chen Dong (comandante), Chen Zhongrui e Wang Jie, deveria ter retornado no início de novembro — mais precisamente no dia 5 — ao fim de sua permanência na estação. Porém, a detecção de uma microfissura na janela da cápsula de retorno gerou dúvidas quanto à segurança do módulo de descida, levando à adoção de medidas alternativas.

Volta dos astronautas

Diante desse cenário, a agência espacial chinesa (CMSA) decidiu que a tripulação usaria a cápsula da missão de substituição, Shenzhou-21, para regressar ao solo, ao invés da originalmente planejada Shenzhou-20. O pouso se deu na Mongólia Interior, no norte da China. Durante sua permanência em órbita, os astronautas realizaram diversos experimentos científicos, contribuindo para o programa tripulado da China — que inclui a estação Tiangong, lançada para manter ocupação contínua e desenvolver tecnologia espacial doméstica.

O incidente da microfissura — provavelmente causada por detritos espaciais — reforça os riscos latentes das missões espaciais humanas, mesmo nas plataformas aparentemente estabilizadas. A CMSA informou que foram realizadas avaliações com base em interpretação fotográfica, simulações e testes em túnel de vento para determinar que a cápsula original não atendia aos padrões de segurança.

Com esse retorno, a China avança no seu cronograma de manutenção da estação orbital: a nova tripulação (Shenzhou-21) assume as operações e a missão seguinte, Shenzhou-22, já está sendo preparada para lançamento “no momento apropriado”, segundo a agência.

Para o panorama da exploração espacial, esta missão reforça duas tendências importantes: a crescente autonomia chinesa no setor — que inclui lançamento, manutenção e operação de estação — e a necessidade permanente de vigilância sobre os riscos orbitais (como detritos e falhas de sistemas), que continuam a ser fator de limitação para programas tripulados.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.